Caminhoneiros paranaenses e de todo o Brasil vão ser alvos de uma campanha de orientação sobre Aids, promovida pelo Ministério da Saúde e que começa amanhã. O trabalho de orientação à categoria vai ser feito em conjunto com o Serviço Social dos Trabalhadores do Transportes e Sistema Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest/Senat). ‘‘Os caminhoneiros foram escolhidos por terem um baixo conhecimento sobre as formas de contaminação da doença’’, explicou o gerente do Posto de Atendimento ao Trabalhador do Transporte do Sest/Senat em Cascavel, Rubens Subtil de Oliveira.
Um pesquisa recente do Ministério da Saúde apontou que 50% dos caminhoneiros do Porto de Santos não usam camisinhas. O resultado disso é que 1,3% deles está infectado com o vírus HIV. ‘‘A falta de informação e a cultura machista em todo o país expõem o caminhoneiro e sua família’’, disse Francisco Carlos dos Santos, do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids, da Secretaria Estadual de Saúde. Existem no Estado 8.620 casos notificados – 2.562 do sexo feminino e 6.058 masculino.
Francisco dos Santos, da Secretaria de Saúde, disse que os caminhoneiros em suas viagens acabam vivenciando situações de riscos com as prostitutas e também com ‘‘namoradas fixas’’. ‘‘O problema maior não é com as profissionais do sexo, mas com as namoradas, as quais o caminhoneiro aposta em uma provável fidelidade’’, afirmou. ‘‘E o caminhoneiro não acredita que a doença possa atingi-lo.’’
‘‘A gente se perde na hora que os olhinhos viram e esquece das coisas’’, disse ontem o caminhoneiro José P., que por ser casado prefere não dar o nome completo. Há 30 anos na profissão, ele conta que na solidão da estrada não é fiel. ‘‘Só agora nos últimos anos uso camisinha, mas quando tenho na mão.’’ O caminhoneiro não sabe se tem Aids, porque nunca fez o teste.
Seu colega de estrada, André Luiz Ronasini, mais jovem e com menos tempo de na profissão, garantiu que sempre está prevenido. ‘‘A gente pode perder tudo por não usar o preservativo’’, afirmou. Com uma camisinha na carteira, ele disse que prefere não se arriscar. ‘‘Ainda mais na estrada, onde as prostitutas rodam mais que nós, cobrando bem barato pelo programa.’’ Segundo ele, programas com garotas nas estradas podem ser feitos por valores que variam de R$ 5,00 a R$ 15,00.

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