Campanha relaciona obesidade com câncer
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quarta-feira, 04 de fevereiro de 2009
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
Uma criança obesa tem chances até 30% maiores de se tornar um adulto obeso e o excesso de peso corporal em adultos é um fator de risco comprovado para o câncer. É com este alerta que a União Internacional de Controle do Câncer (UICC) lança hoje, Dia Mundial do Câncer, uma campanha global envolvendo mais de 90 países. No Brasil, o tema está sendo divulgado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). A UICC informa que há evidências de que o excesso de gordura corporal aumente o risco do desenvolvimento de vários tipos de câncer, como de endométrio, rim, vesícula, pâncreas, mama e intestino.
Problema de saúde pública e que atinge cada vez mais crianças e adolescentes, a obesidade ganhou proporções alarmantes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 2,6 milhões de pessoas morrem anualmente por causa do excesso de peso ou obesidade. Segundo a OMS, 1,6 bilhão de adultos no mundo estão com excesso de peso e ao menos 400 milhões desses são obesos. A estimativa é que uma em cada 10 crianças em idade escolar esteja com excesso de peso. Dessas, de 30 a 45 milhões são obesas, o que representa de 2 a 3% de todas as crianças do mundo com idade entre 5 e 17 anos. No Brasil, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 40,6% da população está com excesso de peso e 11,1% dos brasileiros são obesos.
Segundo a oncologista pediátrica Tânia Hissa Anegawa, de Londrina, não está cientificamente comprovado que a obesidade é um fator de risco para o desenvolvimento do câncer infantil, porém, observa-se uma tendência de que maus hábitos alimentares e sedentarismo - fatores que levam à obesidade - podem colaborar com o desenvolvimento do tumor.
''As crianças não brincam mais, passam muito tempo em frente ao computador e ao videogame. O erro alimentar é cada vez mais precoce também. O consumo de alimentos industrializados entre as crianças é elevado, principalmente embutidos, frituras e refrigerantes. Estes dias atendi um paciente de quatro anos hipertenso e obeso, cuja dieta era à base de frituras e refrigerante'', exemplifica a médica.
Tânia também alerta para os maus hábitos alimentares intrauterinos. ''Há muitos casos de mães adolescentes que fumam, bebem refrigerantes e ingerem lanches'', cita.
A campanha da UICC pretende alertar para a necessidade do equilíbrio entre a energia ingerida por meio da alimentação e aquela gasta com atividades físicas. Em 2009, a campanha pretende mobilizar familiares, profissionais de saúde, educadores e o poder público para a promoção da saúde e prevenção do câncer, por meio do estímulo a um estilo de vida saudável para as crianças, com escolhas alimentares adequadas e uma vida fisicamente ativa.


