A campanha de desarmamento desenvolvida pelo governo do Estado com o apoio das empresas de comunicação, entre elas Folha de Londrina, Rádio CBN e TV Tarobá, pode estar ajudando a diminuir as ocorrências com registro de disparos de armas de fogo. Das cidades do Estado, Londrina é que tem o maior número de armas entregues. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, já foram coletadas cerca de 1,2 mil armas. Em todo o Estado, o número já supera 13 mil armas.
Conforme os dados da Secretaria de Segurança Pública, o índice de disparos de arma de fogo diminuiu 31% em Curitiba, 27% em Londrina, e em algumas cidades até 100%, caso de Quatro Barras (Região Metropolitana de Curitiba).
Segundo informações do comando geral da Polícia Militar, o índice é medido pelas ocorrências atendidas pela PM através do 190. No caso de Curitiba e Região Metropolitana, a queda desse índice se refere ao perído de dezembro de 2003 a março de 2004 comparado com o mesmo período do ano anterior. Em Londrina, a queda do índice vem sendo gradativa, desde o início da campanha. A Secretaria de Segurança Pública informa que, em janeiro, foram 23 ocorrências com disparos de arma de fogo na cidade, seguido de 18 ocorrências em fevereiro, 16 em março, e 17 em abril.
Para o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, é difícil ''contabilizar'' a diminuição da violência com a campanha de desarmamento. Ela ressaltou, no entanto, que um trabalho maior de investigação da Polícia Civil nos casos de homicídios, com um grupo específico para isso, já deram resultados. Segundo ele, este ano aconteceram 30 homicídios a menos que o mesmo período do ano passado. ''Em 2003 foram 92 homicídios, até maio, e este ano, foram 63. Havia uma falsa sensação de impunidade'', disse.
Para o professor aposentado José Marczak, de 77 anos, que entregou à polícia um revólver calibre 32 há cerca de dois meses, a cobrança é por resultados. ''É certo desarmar a população, mas não se pode armar os bandidos, porque aí é um perigo'', disse. Demorou, mas depois de dois meses, ele recebeu os R$ 100,00 pela arma de fogo que entregou. Não foi tanto pelo dinheiro que fez isso, mas principalmente para ''se livrar'' de um problema. ''Fiquei com ela durante 25 anos e nunca usei, pensei que seria melhor entregar antes que pudesse acontecer alguma coisa ruim. E se alguém entrasse na minha casa e eu acabasse atirando? Não estou mais na idade para esses problemas'', ponderou. Do revólver calibre 32 que tinha sobrou apenas uma bala, ''achada esses dias durante uma limpeza''.

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