São Paulo, 26 (AE) - Está em curso na Internet uma campanha de cunho nazista com objetivo de mapear a atuação dos judeus e simpatizantes do judaísmo no Brasil. O movimento é anônimo e pede aos "colaboradores nacionalistas" que enviem para um endereço eletrônico, cadastrado no Hotmail (serviço de correio eletrônico), informações como nome, profissão e local de trabalho sobre judeus.
O que torna o manifesto mais preocupante, na opinião de especialistas, é o fato de apontar nominalmente os supostos "inimigos do Brasil" e de pedir colaboração para a ampliação dessa lista. No mais, o texto é igual ao do mais famoso site de inspiração nazista brasileiro, mantido no provedor Geocities há até alguns meses, quando foi retirado do ar. Desde então, seu conteúdo começou a ser enviado por e-mail.
O cientista político Tulio Khan, da Universidade de São Paulo, que faz pesquisas na Internet, diz que as informações on-line vêm sendo usadas por movimentos racistas para propagar suas idéias e convocar simpatizantes.
Isso é facilitado, lembra o cientista político, pelo fato de alguns países, como Canadá e Estados Unidos, onde estão os maiores provedores, não restringirem a manutenção de sites ideológicos.
Khan lembra que vários autores de atentados recentes contra judeus mantinham sites nazistas. Buford Furrow Jr., por exemplo, que recentemente metralhou crianças em uma escola judaica de Los Angeles, divulgava na Internet o movimento Arians Nation (nação ariana) do qual fazia parte.
Algumas acusações contra os judeus divulgadas no manifesto são baseadas nas idéias do historiador Gustavo Barroso. Outras, já foram publicadas por uma editora do Rio Grande do Sul, que já teve vários livros apreendidos pela polícia por terem sido considerados racistas.
Barroso e seus seguidores começam responsabilizando os judeus pelo tráfico negreiro e terminam culpando-os pela dívida externa. O símbolo na home-page, um polvo abraçando o Brasil, foi usado pela polícia czarista, quando afirmou ter descoberto um documento contendo o plano dos judeus para conquistar o mundo - naquele caso, o polvo abraçava o mapa-múndi. Anos depois, ficou confirmado que o documento havia sido forjado.

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