São Paulo, 01 (AE) - Os 40 mil alunos da 4.ª série do ensino fundamental à 3.ª série do ensino médio (2.º grau) de 28 escolas estaduais da região de Ermelino Matarazzo, periferia da zona leste de São Paulo, começarão o ano letivo, no dia 8, com uma atividade diferente: serão convidados a participar da campanha de desarmamento voluntário "Desarme-se, Sou da Paz". A iniciativa conta com a participação das polícias Civil e Militar, das associações de moradores e das igrejas católicas e evangélicas do bairro. "É uma espécie de ecumenismo pela paz", diz o padre Antônio Luiz Marchioni, o Padre Ticão, um dos articuladores da campanha, ao descrever o envolvimento da comunidade.
A campanha pretende arrecadar armas de fogo e facas. Quem entregar uma arma ilegal receberá o diploma de cidadania e as crianças que se desfizerem de uma similar de brinquedo receberão um diploma de honra ao mérito assinado pelo presidente da associação de moradores e do coronel Paulo Régis, da Polícia Militar.
Os promotores da campanha informam - por meio de 5 mil folhetos e das rádios comunitárias - que o porte ilegal de arma é crime inafiançável. Mas um acordo feito entre entre os policiais e a comunidade garante anistia a quem entregar sua arma. Naif Saad Neto, titular da Seccional de Itaquera (órgão responsável pelas delegacias da região), explica que a polícia só investigará armamentos relacionados a crimes. Preparação - A campanha está sendo preparada desde novembro, quando 450 moradores da região se reuniram com representantes das Polícias Civil e Militar para discutir a criação de um programa de segurança comunitária. Padre Ticão diz que já existe no bairro uma espécie de "rede de solidariedade", composta por grupos de moradores que desenvonvem trabalhos comunitários, "mas esse movimento ainda é muito frágil diante da violência de uma cidade como São Paulo".
O coronel Paulo Régis, da Polícia Militar, diz que em Ermelino Matarazzo já começa a surgir a consciência de que em algumas situações, como em tentativas de roubo, o fato de a vítima ter uma arma pode potencializar a reação do agressor. Há três anos, a delegada de ensino da região, Roseli Braga, instituiu um curso de prevenção ao uso de drogas em todas as classes a partir da 4.ª série e o Departamento de Narcóticos da Polícia de São Paulo mantém agentes à paisana em duas escolas.
Já o padre Ticão pede à comunidade católica que leve Bíblias para a missa e leia textos que estimulem a paz.

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