Marie Hippenmeyer/France PresseDesarmamentoRolo compressor passou lentamente: espírito precisa perder ódioA campanha estudantil ‘‘Sou da Paz’’ e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) promoveram ontem, Dia Internacional dos Direitos Humanos, na Praça da Sé (centro de São Paulo), a destruição de 1.721 armas entregues espontaneamente pela população paulista durante ação pelo desarmamento, iniciada este ano. No dia anterior, a Anistia Internacional havia anunciado, no Quartel General da PM paulista, o início dos preparativos para a comemoração mundial dos 50 anos da declaração universal, em 10 de dezembro.
No ato inédito no Brasil, segundo participantes, cerca de 300 pessoas observaram silenciosamente, sob sol forte, a destruição das armas por dois rolos compressores, que começou às 10h45. As armas foram jogadas pelos estudantes sobre um tapume pintado de branco. Policiais militares, civis e do Exército fizeram a segurança no local.
A cerimônia foi acompanhada pelo presidente da OAB-SP, Guido Andrade, pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Luiz Antonio Marrey e pelo secretário da Administração Penitenciária, João Benedicto de Azevedo Marques.
SimbologiaTambém participaram da solenidade o presidente Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo, Luiz Carlos Ribeiro dos Santos, a presidente do Centro Acadêmico 11 de Agosto, da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), Andrea Mustafa, e 40 delegados de diferentes países que estão esta semana no Brasil participando de um seminário sobre desarmamento, além de outras autoridades e líderes estudantis. As armas foram entregues na sede da OAB-SP, na Sé, em quatro etapas de três dias cada, entre outubro e novembro.
As armas destroçadas servirão de material para uma escultura do símbolo da campanha: duas mãos formando a pomba da paz. Esse símbolo foi feito pelas pessoas que estiveram na cerimônia ontem. ‘‘Esse ato representa um convite ao desarmamento do espírito de ódio e de rancor’’, disse Guido Andrade.

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