Brasília- Estima-se que 21 mil crianças e adolescentes de até 19 anos vivam com o vírus HIV no Brasil. Na América Latina e Caribe são aproximadamente 740 mil jovens com idades entre 15 e 24 anos contaminadas pelo vírus. Para priorizar o enfrentamento da doença entre os jovens, o Programa Nacional de DST e Aids, do Ministério da Saúde, e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), lançaram ontem no Brasil a campanha Unidos com as Crianças e os Adolescentes. Unidos Vamos Vencer a Aids!.
''Apesar de os números alarmantes, as políticas de combate à epidemia ainda não deram a prioridade devida ao tema da infância. Pouco se lembra das crianças quando se fala da epidemia do HIV/Aids'', afirma a representante do Unicef no Brasil, Marie Pierre Poirier.
Mundialmente a campanha foi lançada em outubro, em Nova Iorque. No Brasil são quatro as linhas de ação. A primeira tem o objetivo de garantir, até 2008, o fim da chamada transmissão vertical, que é a contaminação passada da gestante ao bebê.
A segunda linha de ação é realizar nas escolas um programa de prevenção com adolescentes. As demais ações estão relacionadas à cooperação entre países Sul-Sul para ampliar o acesso aos medicamentos anti-retrovirais, ao teste rápido do HIV para gestantes e ao treinamento de profissionais de saúde.
Se a gestante for diagnosticada a tempo e se utilizar a terapia com medicamentos anti-retrovirais adequada, é possível evitar a transmissão do vírus da Aids em mais de 99% dos casos, afirma o Ministério da Saúde.
Com a campanha, o Brasil espera também eliminar a sífilis congênita nos próximos três anos. Para alcançar a meta, uma das principais estratégias usadas deverá ser a ampliação do acesso das gestantes e adolescentes ao diagnóstico do HIV e da sífilis. A prioridade será para as regiões de difícil acesso.
A parceria entre governo brasileiro e o Unicef estende-se para seis países, que vão receber anti-retrovirais, kits de testes do HIV e apoio para a formação de profissionais de saúde. O Ministério da Saúde afirma que integram a chamada Cooperação Sul-Sul (entre países em desenvolvimento) os governos da Bolívia, Cabo Verde, Guiné Bissau, Paraguai, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
No mundo, um total de 40,3 milhões de pessoas vivem com HIV, segundo o relatório anual divulgado anteontem, em Nova Délhi, pelo diretor-executivo do Unaids, Peter Piot. ''O número de pessoas que vivem com HIV no mundo alcançou o nível mais alto já registrado, com 40,3 milhões, em comparação com os 37,5 milhões de 2003'', afirmou. Em 2005, mais de 3 milhões de pessoas morreram de Aids, das quais mais de meio milhão eram crianças.

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