Curitiba- Para cada criança de zero a dois anos colocadas para adoção no Brasil existem 36 pretendentes a assumi-las. Para crianças na faixa entre 5 e 7 anos há apenas duas pessoas interessadas na adoção. Já para quem tem acima de sete anos, a realidade é ainda mais dura: do total de 66 crianças abandonadas, apenas uma terá um lar. As 65 restantes provavelmente vão viver até os 18 anos em abrigos públicos.
Para tentar mudar essa realidade começa a ser veiculada, a partir de domingo, a campanha ''Adote essa idéia''. Com dois vídeos que mostram situações de adoção de crianças maiores e de raças diferentes, a campanha pretende sensibilizar a população para que mude sua concepção a respeito da adoção. Os números, resultado de uma pesquisa nacional feita pelo Centro de Capacitação dos Grupos de Apoio à Adoção (Cecif), revelam a preferência dos brasileiros em adotar bebês, principalmente meninas e de cor branca.
''A campanha quer que as pessoas 'adotem' a idéia de que podem adotar uma criança maior e não só os bebês'', explica Eliana Salcedo, presidente da Recriar: Família e Adoção, ONG responsável pela campanha. Segundo ela, um dos objetivos é sensibilizar as pessoas para a realidade comum nos abrigos, que é a existência de grupos de irmãos, ou crianças doentes, maiores de cinco anos, que têm possibilidades limitadas de obter uma família.
Um dos problemas a enfrentar, segundo ela, é o preconceito da população. ''Muita gente tem medo de adotar uma criança maior porque acha que ela 'tem sangue ruim', que já vem com problemas. E isso não é verdade'', diz. Mas o maior empecilho para aumentar as adoções nessa faixa etária, para ela, é o grande número de grupos de irmãos. A legislação prevê, nesses casos, que os irmãos não podem ser separados e, por isso, devem ser adotados por uma única família ou, no mínimo, integrantes da mesma família.
A 1 Vara da Infância de Curitiba, segundo ela, tem feito um trabalho importante para aumentar as chances dessas adoções. Uma das ações tem sido a agilização dos processos de análise sobre as possibilidades das crianças abandonadas ou em situação de risco voltarem para suas famílias. Caso isso não seja possível, elas são encaminhadas à adoção rapidamente. Outra iniciativa é a de encontrar famílias com capacidade para adotar os grupos de irmãos.

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