Curitiba - O Ministério do Meio Ambiente e a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) vão desenvolver nos próximos meses uma campanha nacional de combate ao tráfico de animais silvestres. A intenção é alertar a população que contribui com o tráfico que a compra e venda desses animais é crime. A campanha foi lançada oficialmente na última segunda-feira, em Brasília.
O Brasil é um dos principais alvos dos traficantes da fauna silvestre devido a sua imensa biodiversidade. As organizações não governamentais ligadas ao meio ambiente calculam que o tráfico renda de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões em todo o mundo, colocando o comércio ilegal de animais silvestres na terceira maior atividade ilícita do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas. O Brasil participa com 15% desse valor, aproximadamente US$ 900 milhões.
Seguindo uma lógica cruel que determina o valor da espécie pela sua raridade e grau de ameaça de extinção o tráfico da vida selvagem é hoje um dos principais fatores do desaparecimento da fauna brasileira, que abriga mais de 10% dos 1,4 bilhões de seres vivos catalogados no planeta.
No Brasil, 218 espécies animais encontram-se ameaçadas de extinção. O País ocupa o segundo lugar no ranking mundial de espécies de aves ameaçadas. O Paraná é um bom exemplo da exploração das aves pelo tráfico. Segundo o chefe de fiscalização do Ibama no Paraná, Paulo Roberto Matoso Dittert, a região central do Estado concentra o maior número de pontos de captura das aves, especialmente sabiás e canários-terra. Dittert acredita que esses animais são vendidos principalmente para São Paulo, onde são treinados para disputas em rinhas.
Já no Litoral, a caça é aos papagaios da cara-roxa, que estão ameaçados de extinção. Dittert conta que muitas vezes os contrabandistas cegam os papagaios para que eles fiquem mansos.
O principal ponto de entrada de animais contrabandeados no Estado é a Costa Oeste, seguindo a extensão do Rio Paraná. ''Acreditamos que estes animais são retirados das matas do Mato Grosso do Sul'', diz o fiscal. Ele conta que em três operações feitas na região no final do ano passado foram apreendidos três mil pássaros, além de 30 cobras cascavel. Quando os animais estão em condições, são soltos novamente na natureza. Mas o cativeiro debilita a maioria deles, que acaba sendo encaminhada para zoológicos e criadouros que possuem autorização do Ibama para cuidar dos animais.

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