Campanha mostra que prevenir acidentes representa economia
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quarta-feira, 28 de abril de 2004
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Membros do Centro Regional de Saúde do Trabalhador de Londrina fizeram ontem no Calçadão, Centro da cidade, uma campanha para informar a comunidade sobre a importância da prevenção de acidentes do trabalho. Durante três horas, profissionais da saúde e alunos de escolas profissionalizantes mostraram equipamentos de segurança e formas para melhorar o ambiente de trabalho.
A dona de casa Maria José Gonçalves Santos, de 54 anos, aproveitou a oportunidade e se informou sobre o assunto. ''Eu não sabia nada disso. E apesar de não trabalhar tenho filhos que trabalham'', contou. A dona de casa também assinou um documento que pede que o Seguro de Acidentes do Trabalho não seja privatizado. O abaixo-assinado seria realizado em todo o país e pretendia colher 50 mil assinaturas.
A funcionária pública Leonete Brambila, de 40 anos, apresenta problemas de tendinite há dois anos. Ela acredita que algumas mudanças no ambiente de trabalho poderiam ter evitado o problema. ''A gente faz a perícia e dizem que está tudo bem, mas ninguém vê a dor que a gente sente'', disse.
A ex-costureira Ana Maria Figueiredo, de 40 anos, teve uma história mais difícil. Sentiu as primeiras dores na coluna em 1998 e até hoje faz tratamento. Ela foi demitida no ano seguinte, 1999, e hoje move uma ação contra a empresa.
Segundo informações da coordenadora do Centro Regional de Saúde, Mara Ferreira Ribeiro, a incidência de acidentes tem aumentado principalmente no setor de prestação de serviços. ''Em 2001 dos cerca de 340 mil acidentes registrados no país, 42% eram relacionado a este setor. Já em 2002, das 388 mil ocorrências, 45% foram na prestação de serviços'', revelou. De acordo com Mara, um dos motivos deste aumento é que a maioria das empresas que prestam serviços são pequenas e não sabem que investir em segurança significa economizar.
Um estatística da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela que em 2002, os acidentes de trabalho no Brasil deixaram 370 mil pessoas sem trabalhar por algum período, isso considerando apenas o mercado formal. No Paraná foram 27.477 acidentes, sendo que 230 paranaenses perderam a vida. ''O empregador investe no treinamento e perde quando esse trabalhador se afasta'', disse a coordenadora.
Em Londrina, segundo Mara, em 2003 foram registrados mais de dois mil acidentes de trabalho, sendo que a incidência maior foi nas faixas etárias de 21 a 25 anos e de 41 a 45 anos. Os dados foram conseguidos junto as Unidades Básicas de Saúde.


