Londrina - "Doar é um dos atos de mais amor. Doar dinheiro é uma coisa, mas doar parte de si mesmo não tem como definir", afirma o médico Valdecir Oliveira, ginecologista e obstetra em Arapongas que também participará do encontro. "Vou dar meu depoimento, conversar com as pessoas, fazer o que for necessário. Só estou aqui por causa de uma família que cedeu os órgãos do filho", revela.
Ele conta que fez o transplante de fígado em 2009, porque teve cirrose hepática causada por acúmulo de ferro devido à talassemia. "Foi descoberto (a cirrose) por acaso, durante um ultrassom de rotina. Investigamos e descobri a talassemia. Depois do que aconteceu comigo, muitas outras pessoas foram fazer exames e descobriram ter problemas semelhantes. Qualquer um está sujeito a precisar de um transplante."
Ogle Bacchi, coordenadora da Comissão de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplante (Copott) em Londrina, vê com bons olhos a iniciativa. "Precisamos que a sociedade incorpore isso, queremos mobilizar todos. É como o câncer, não só os doentes, mas todos se apropriam disso para ajudar. A campanha mostra o crescimento e maturidade da sociedade", afirma.
Segundo ela, o paciente que precisa de transplante vive um dilema, porque como depende de um diagnóstico de morte cerebral, tem medo de ser interpretado como alguém que quer que o outro morra. "A campanha faz com que ele saia de sua condição de vítima, isso traz um outro olhar." (E.G.)

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