Lisboa, 9 (AE) - Responsável pela campanha do primeiro- ministro Antônio Guterres, o publicitário e marketeiro brasileiro Edson Athayde, de 36 anos, considera seu candidato uma unanimidade nacional. "Hoje Guterres é mais simpático do que o papa. É muito difícil a oposição bater nele", afirma Athayde, que trouxe o marketing político para Portugal. Athayde, que está em Portugal desde 1991, fez a campanha de Guterres em 1995, quando o PS subiu ao poder. "Até 95 não havia marketing político no país", conta Athayde, que atualmente além de ter uma agência com seu nome é diretor da multinacional FCB em Portugal.
Para Athayde, falta em Portugal o instrumento fundamental para o marketing político profissional: as sondagens diárias. "Sem sondagens não dá para o candidato corrigir o rumo no meio da campanha. As sondagens diárias indicam se o candidato está no caminho certo, e se as mudanças estão dando resultado".
A relação de Athayde com Guterres é pessoal. Ele diz que não cobra nada pela campanha, o que lhe dá maior liberdade. "Há uma sintonia muito grande entre o que eu quero fazer e o que o candidato quer.
Raramente submeto cartazes ao partido e o primeiro- ministro só viu o programa eleitoral antes de ir para o ar porque eu quis", relata Athayde, que levou para Portugal o primeiro Leão de Ouro de publicidade ganho pelo país no Festival de Cannes.
Trabalhando com um candidato que durante todo o mandato não chegou a ficar abaixo de 50% de aprovação, Athayde optou por uma campanha em que a peça principal é um cartaz em que o rosto do primeiro-ministro encontra-se sobre um fundo verde e vermelho - as cores da bandeira portuguesa -, com a frase "Portugal em boas mãos". "É um discurso muito consensual, muito claro, que não diz muita coisa. Em Portugal, a campanha não pode ser agressiva, como nos Estados Unidos ou no Brasil. A população rejeita isso".
Sobre a campanha do principal partido da oposição, baseada em cartazes de rua com as promessas do candidato, com a frase "Vou cumprir", Athayde considera não consegue sair do eleitorado tradicional do PSD.
"Não é uma campanha para a maioria, mas para quem já detesta o Guterres. O problema é que foi feita uma campanha de publicidade e não de marketing político. A publicidade chama a atenção quase chocando as pessoas, e se você quer a maioria não pode agredir o eleitor que há quatro anos votou Guterres".

mockup