Brasília, 23 (AE) - O governo começou hoje uma campanha para estimular gestantes a fazerem o teste anti-HIV. Quando a mulher detecta a doença no início da gravidez tem grandes chances de evitar que seu filho venha a ter aids porque haverá tempo para o tratamento com AZT. De acordo com o Ministério da Saúde, o remédio pode reduzir em até 70% o risco de a criança contrair aids durante a gestação ou no parto.
O ministério calcula em 10 mil o número de gestantes infectadas pelo HIV. Desse total, menos da metade tem recorrido ao tratamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). O subaproveitamento é atribuído pela Coordenação Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids ao fato de a "maioria dos médicos (incluindo os da rede privada) não oferecer às gestantes o teste anti-HIV que permite o diagnóstico no pré-natal".
Folhetos - Por isso o governo vai distribuir 500 mil folhetos às gestantes aconselhando o teste no pré-natal. E outros 100 mil manuais chegarão às mãos de obstetras e ginecologistas com recomendações para que eles orientem suas pacientes a fazer o teste.
O material explica que a aids é provocada pelo vírus HIV que ataca "as defesas do organismo da pessoa e faz com que ela não consiga se defender de várias doenças". Com uma linguagem simples, informa que uma pessoa só consegue ter certeza de que contraiu a doença fazendo exames em centros de saúde e hospitais.
As mulheres são esclarecidas ainda que a realização do teste é voluntária e que nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) a pessoa não é identificada. A gestante com resultado positivo receberá atendimento médico. "Uma pessoa pode estar com vírus da aids e não apresentar sintomas, porém ela pode transmitir o vírus", alerta o folheto, avisando ainda que "somente as mulheres portadoras do HIV não devem amamentar os seus bebês".
Tratamento - O AZT oral é dado à mulher infectada com o vírus da aids a partir da 14ª semana de gravidez. E na hora do part, ela recebe uma dose injetável. Depois de nascido o bebê recebe AZT em solução oral até a 6ª semana de vida. A transmissão vertical (de mãe para filho) é a principal causa de contaminação das crianças: 79% dos 5.964 casos registrados desde 1980.

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