Campanha estimula doação de órgãos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de novembro de 2003
Ruth Helena Bellinghini<br> Agência Estado 
São Paulo - Uma campanha, endossada por artistas como Daniela Escobar, Isabel Filardis e Claudia Liz, e o jogador Narciso, do Santos, que passou por um transplante de medula vai estimular a doação de órgãos para transplante. Eles vão sensibilizar a população para respeitar a vontade de quem, em vida, manifestou o desejo de doar seus órgãos para transplante. Caso de Marcelo Fromer, dos Titãs, atropelado e morto em junho de 2001. Foi para atender a seu pedido que sua mãe, Lúcia, que apóia a Doe Vida, autorizou a doação de coração, fígado, córneas, rins e pâncreas.
Os planos do Ministério da Saúde são ambiciosos. ''Queremos zerar a fila do transplante de córnea até 2007 e reduzir a fila para os demais órgãos'', anunciou ontem o ministro Humberto Costa, que esteve em São Paulo para falar sobre a campanha ''Doe Vida. Seja um doador de órgãos'', que está no ar desde o dia 19 e tem o lema ''Se você é doador avise a sua família. Se você tem doador na família, atenda à vontade dele.''
Segundo Costa, há 56 mil pessoas na fila para um transplante no Brasil, das quais 23 mil precisam de uma córnea. ''O grande gargalo para os transplantes no País ainda é a doação. Tivemos três leis diferentes desde 97, mas atualmente o que conta é a decisão da família'', reiterou.
De acordo com o ministro, o Brasil é o segundo país do mundo em número de transplantes, com oito mil cirurgias anuais, atrás apenas dos Estados Unidos, que fazem 11 mil. São 22 centrais de captação de órgãos, 450 hospitais capacitados e 1.033 equipes especializadas. Hoje, o governo gasta por ano cerca de R$ 280 milhões com essas cirurgias, dos quais R$ 106 milhões com medicamentos, como os imunossupressores.
Nos planos de Costa, uma das prioridades é a capacitação das equipes que atuam na emergência. ''Se não humanizarmos a emergência, o pessoal que identifica um doador em potencial, todo o processo fica prejudicado'', disse. O ministro garantiu que no Brasil não há tráfico de órgãos, até porque são diferentes equipes que identificam o doador, fazem a captação e o transplante.
Costa tem grandes esperanças também no desenvolvimento de novas terapias capazes de reduzir as filas de espera, entre elas o emprego de células-tronco para revascularização cardíaca. ''A torcida é para que esses procedimentos, ainda experimentais, tenham sucesso e possam ser reconhecidos como novas terapias'', afirmou.
O ministério deve destinar R$ 80 milhões para pesquisa clínica no ano que vem, e parte desses recursos deve ir para esses estudos.


