Curitiba- Cerca de 100 mil trabalhadores na educação iniciaram ontem a Campanha Nacional para Converter a Dívida Externa em Investimento em Educação. Atualmente, o governo federal investe cerca de R$ 28 bilhões no Fundo Nacional de Desenvolvimento e Valorização da Educação Fundamental (Fundef) por ano. A intenção é fazer com que 5% do valor pago aos organismos internacionais para quitar os juros da dívida externa por mês sejam aplicados na melhoria da infra-estrutura das escolas, incentivo à pesquisa e na redução dos índices de analfabetismo brasileiro.
''Estamos pedindo uma parcela muito pequena do pagamento da dívida externa para revolucionar a educação fundamental brasileira, dando mais qualidade e melhor estrutura para nossos alunos'', afirmou ontem Marlei Fernandes de Carvalho, secretária de imprensa e divulgação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Com o valor solicitado, o governo federal investiria cerca de R$ 180 bilhões por ano no Fundef. O debate está sendo levado a políticos (em Brasília). A comunidade em geral pode participar através de um abaixo-assinado que pede a conversão dos recursos.
''Vamos pressionar o governo federal para que intervenha junto aos governos internacionais. O que estamos fazendo é um apelo social'', enfatizou Marlei. Um conselho formado por representantes das escolas, comunidade e do governo fiscalizaria a aplicação dos recursos nacionais. Amanhã, os professores vão levar a proposta para uma audiência que foi previamente marcada com o ministro da Educação, Tarso Genro. ''Não é uma mobilização que se esgota na quarta-feira. Esse é o início de uma luta. Estamos dando o pontapé inicial apenas para viabilizarmos os recursos'', disse ela.
A campanha nacional deve ser encerrada no dia 7 de setembro, durante o Grito dos Excluídos. Até lá, os trabalhadores em educação esperam obter um milhão de assinaturas. Ontem, a assessoria de imprensa do MEC informou que a proposta de conversão da dívida será levada entre os dias 10 e 11 de maio para uma reunião de ministros de países latino-americanos e o governo espanhol, em Madrid. Hoje, a dívida externa brasileira tem valor aproximado de R$ 545 bilhões.

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