Santiago, 14 (AE) - Os dois candidatos à presidência do Chile, Joaquín Lavín e Ricardo Lagos, encerraram suas campanhas otimistas em relação às suas possibilidades de vitória. Depois dos últimos comícios realizados no sul do país por Lagos e no norte por Lavín na noite de quinta-feira, hoje (14) os candidatos fizeram seus últimos atos públicos de encerramento da campanha, ambos certos de que têm chance de chegar ao palácio La Moneda. As pesquisas eleitorais, embora de pequeno alcance, continuam mostrando empate técnico.
Hoje já começaram os preparativos para as eleições, com a propaganda política proibida e as Forças Armadas, responsáveis pela segurança da votação, já ocuparam hoje as seções eleitorais.
Uma nova pesquisa divulgada hoje, do instituto Benchmark, apresentou novamente empate técnico, mas com vantagem estreita para o candidato Lavín. Segundo o instituto, que é ligado à oposição, o candidato Lavín teria 50,59% dos votos e Lagos, 49 41%. A diferença, entretanto, é inferior à margem de erro da pesquisa. No total, foram divulgadas quatro pesquisas eleitorais para o segundo turno, todas apontando empates técnicos, embora duas delas mostrem o candidato Ricardo Lagos com uma ligeira vantagem e outras duas, a situação inversa, com liderança de Lavín.
Os eleitores que se abstiveram, votaram nulo ou branco no primeiro turno, decidirão quem será o novo presidente. Esses eleitores representam 1 milhão de votos, enquanto a diferença entre Lagos e Lavín foi de apenas 30 mil votos.
A disputa acirrada exaltou os ânimos dos partidários dos dois candidatos e aumentaram os incidentes antes das eleições.
Foi registrado mais um conflito entre os partidários dos dois candidatos na quinta-feira à noite, desta vez no bairro de Macul. Vinte pessoas ficaram feridas depois de um enfrentamento entre cerca de 40 cabos eleitorais na noite de quinta-feira, mas ninguém foi preso.
Outros dois incidentes foram registrados nesta semana: um cabo eleitoral de Lagos foi esfaqueado em Puerto Montt e nove pessoas ficaram feridas numa briga entre cabos eleitorais que disputavam espaço para propaganda política em Maipu. Mas os incidentes parecem ser fatos isolados numa eleição que deve ocorrer num clima relativamente tranquilo.
Os conflitos entre os cabos eleitorais de Lagos e Lavín preocupam as Forças Armadas, encarregadas de manter a segurança durante a eleição. O comandante responsável pela área metropolitana de Santiago, major general Sergio Muñoz Candia, pediu hoje aos comandos dos candidatos que não anunciem prematuramente os resultados eleitorais, ainda mais num pleito que promete ser muito disputado. Segundo ele, declarações antecipadas de vitória que depois não sejam confirmadas podem gerar frustrações nos partidários dos candidatos.
Hoje as Forças Armadas, responsáveis pela segurança da votação
começaram a ocupar as seções eleitorais. Só na região metropolitana de Santiago, serão mais de três mil soldados do Exército, Força Aérea e carabineros distribuídos pelos locais de votação. Hoje também já começou a entrega das urnas e cédulas de votação aos chefes das seções eleitorais.
Os carabineros começaram a receber hoje as justificativas de ausência dos chilenos que não possam comparecer às urnas no domingo. O voto é obrigatório no Chile e quem não justifica a ausência é multado.
Desde hoje estão proibidas manifestações eleitorais e porte de armas.
No domingo, pela legislação chilena, devem fechar estabelecimentos de todos os tipos, incluindo teatros e cinemas.
COMÍCIOS- Os dois candidatos decidiram encerrar suas campanhas nas regiões onde obtiveram o pior desempenho no segundo turno. Joaquin Lavín fez seu comício em Antofogasta, no norte do país, a 1085 quilômetros da capital Santiago, reunindo cerca de 3 mil pessoas no centro da cidade. Nessa região, Lavín foi derrotado por Lagos pela maior diferença de votos. No último comício da campanha, Lavín pediu a cada eleitor que consiga "um voto mais" para conseguir vencer no segundo turno. Hoje, o candidato terminou a viagem que fez pelo Chile durante a campanha visitando o lago Chungará, próximo à cidade de Iquique, também na região norte do país.
Lagos encerrou a campanha com uma caravana reunindo 40 barcos no rio Calle-Calle, na cidade de Valdivia, 840 quilômetros ao sul de Santiago, onde Lavín o superou por 52,16% a 44,59%. O comício às margens do rio reuniu cerca de 6 mil pessoas e teve diversos shows de música popular.
REVIRAVOLTA- A campanha de Lagos foi a que sofreu mais mudanças no segundo turno, pela pequena diferença de vantagem sobre Lavín, que foi vista pelo comando do candidato como uma derrota. Lagos trocou o chefe de sua campanha, convocando a então ministra Soledad Alvear, a figura do governo com melhor imagem pública.
A detecção de preferências por Lavín entre o eleitorado católico fez com que Lagos procurasse o apoio de grupos religiosos. Na campanha do segundo turno, o candidato do governo também mudou o discurso anteriormente centrado em concepções políticas para mais promessas concretas. Para reduzir os temores do que imaginavam que seu governo pudesse ser mais "socialista" do que da Concertación, anunciou nomes de possíveis ministros da área econômica alinhados liberais e pós-graduados em universidades americanas.

mockup