Curitiba- ''Como é que uma mãe vai pensar em levar uma filha que está com coceira em um oncologista? Ela vai procurar um alergista'', desabafa a corretora de imóveis Denise Girardi Addison, mãe de Fernanda, de 18 anos, acometida por um tipo de câncer pouco conhecido da população, o linfoma. A doença não é rara. No mundo inteiro, 350 mil novos casos de linfoma são diagnosticados anualmente e 186 mil pessoas morrem por causa da doença todo ano. O problema é o desconhecimento da população, que muitas vezes só permite o diagnóstico da doença em estágio adiantado.
Linfoma é o nome dado ao tumor que se desenvolve nos linfonodos, os gânglios existentes no organismo e chamados popularmente de ínguas quando ficam inchados. ''A íngua é diferente de um linfoma. Ela aparece de um dia para outro, quando há uma infecção, e normalmente com dor no local. O linfoma é uma íngua que vai crescendo devagar, passa de dois a quatro centímetros, normalmente é indolor'', esclarece o médico hematologista Rodrigo Bendlin, supervisor da Unidade de Quimioterapia de Alto Risco do Hospital de Clínicas (HC).
O sintoma inicial mais comum é um aumento indolor dos linfonodos no pescoço, porção superior do peito, interior do peito, axilas, abdômen ou virilha. Outros sintomas incluem febre, suor, principalmente à noite, perda de peso e coceira generalizada. Há casos em que o paciente sente dor nos linfonodos após a ingestão de álcool. A dificuldade de diagnóstico acontece, muitas vezes, porque não há aumento visível dos gânglios. Isso ocorre principalmente quando a doença atinge primeiro os gânglios internos, do tórax e barriga.
Foi o que aconteceu com Fernanda. A primeira manifestação da doença foi a coceira intensa. Mais tarde ela desenvolveu um quadro de tosse, e só depois de mais algum tempo é que foi possível detectar o aumento do linfonodo. Com isso, passaram-se seis meses desde o primeiro sintoma, em junho do ano passado, e o diagnóstico de linfoma, em dezembro. Desde então, ela passa por sessões de quimioterapia e radioterapia, mas, segundo sua mãe, ela terá que fazer um transplante de medula.
Pesquisa realizada em novembro de 2003 pela Coalizão contra o Linfoma, uma organização mundial sem fins lucrativos de grupos de pacientes com a doença com 486 pacientes portadores da doença revelou que, antes do diagnóstico, 97,5% não tinham consciência do que era linfoma. Diante desse quadro, a Coalizão realizou ontem, no Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas, campanhas de esclarecimento em várias partes do mundo.

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