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. | Foto: Marcos Zanutto

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe começa nesta quarta-feira (10). Até o dia 19, crianças de um a seis anos incompletos, gestantes, indígenas e puérperas – mulheres de até 45 dias após o parto – são os grupos prioritários para vacinação por conta da maior vulnerabilidade.

Em uma segunda etapa, de 22 de abril a 31 de maio, fim da campanha, todos os grupos prioritários poderão vacinar. São eles: trabalhadores da saúde, pessoas com comorbidade e doenças crônicas, idosos, professores de escolas públicas e privadas, jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas, profissionais do sistema carcerário e pessoas privadas de liberdade.

A Sesa (Secretaria Estadual de Saúde) dispõe de quase 3,3 milhões de doses para esta campanha. De acordo com a enfermeira da Divisão de Vigilância do Programa de Imunização da pasta, Vera Rita da Maia, o Paraná já recebeu 25% do total de doses previstas e distribuiu às regionais de saúde do Estado. “A vacina é uma das principais formas de prevenção e é muito segura. Ela é feita a partir de vírus morto e atenuado e segue todos os critérios de segurança exigidos na fabricação”, explica.

Há contraindicação apenas para a aplicação de doses em pessoas que apresentam alergia severa a ovo. “O que a gente orienta é que em caso de vermelhidão, dor ou outra reação adversa, a pessoa retorne à unidade de saúde para acompanhamento”, reforça Maia. No dia 4 de maio será realizada uma mobilização nacional para a vacinação dos grupos prioritários.

De acordo com a Sesa, no ano passado, o Paraná não conseguiu atingir a meta de vacinação para gestantes e crianças, 79% das grávidas foram vacinadas e 77% das crianças em 2018. Neste ano, a campanha de vacinação foi antecipada em todo o País em razão de um surto de casos no Amazonas. Entre janeiro e março, o Ministério da Saúde confirmou 113 casos de influenza no Estado, 31 resultaram em mortes pela doença. Por lá, a vacinação começou no dia 20 de março. Mais de 1 milhão de doses foram disponibilizadas pelo governo federal.

No Brasil, 232 casos de influenza foram identificados em pacientes que desenvolveram Síndrome Respiratória Aguda Grave e necessitaram de internação. Ao todo, 50 pessoas morreram entre janeiro e março, cinco eram do Paraná (sendo quatro casos de A (H1N1) e um de influenza B. Segundo o Ministério da Saúde, a definição das prioridades da campanha segue o recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e a meta dessa campanha é vacinar 90% dos grupos prioritários.

LONDRINA

Em Londrina, a meta de vacinação é de pouco mais de 168 mil pessoas. As doses estão distribuídas em todas as UBS (Unidades Básicas de Saúde) do município, urbanas e rurais. Nos outros anos, a vacina da gripe era disponibilizada para crianças de seis meses a quatro anos. Nesta campanha, a faixa etária da infância foi esticada para até seis anos incompletos. “Houve também uma antecipação para esses três grupos, com divisão da campanha em duas etapas, pois crianças, gestantes e puérperas são os grupos que têm apresentado a cobertura mais baixa nos últimos anos de vacinação contra a gripe”, explicou a diretora de vigilância em saúde de Londrina, Sônia Fernandes.

Ela conta que ainda há gestantes que pensam que a vacina pode fazer mal ao bebê, e, por isso, optam por não receber a dose. “A vacina já se mostrou bastante segura. Ela não afeta o desenvolvimento da criança. É importante que essa grávida desenvolva anticorpos contra a gripe para que ela tenha um período de gestação tranquilo”, pontua.

Se a grávida ficar gripada, é possível que ela tenha complicações com maior facilidade já que a distensão do útero dificulta a respiração, de acordo com Fernandes. A vacina contra gripe fornecida na rede pública é tríplice, ou seja, combate três tipos de vírus.

Para a imunização, os pacientes com doenças crônicas como hipertensão, asma, diabetes, Síndrome de Down, insuficiência cardíaca devem apresentar solicitação médica para a vacina, identificando a patologia. Já pacientes com cadastro nas unidades básicas de saúde podem ser vacinados sem prescrição.

Segundo o Ministério da Saúde, duas cepas da vacina passaram por alterações desde o ano passado, por isso, é necessária a imunização mesmo de quem já tomou a vacina em 2018. Além da dose, a pasta recomenda medidas de higiene e etiqueta respiratória para diminuir a propagação do vírus.

O presidente da Comissão Nacional Especializada de Vacinas da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), Julio Cesar Teixeira, lembra todos devem ser vacinados, mas “como o SUS não tem para todo mundo, coloca algumas prioridades”.

GESTANTES

As gestantes acabam tendo uma menor defesa imunológica durante a gravidez e estão mais suscetíveis a infecções graves, segundo Teixeira. O vírus da gripe tem uma evolução mais ligeira nas grávidas, colocando em risco também a saúde do bebê. “É importante que todas as gestantes vacinem, independentemente da época da gestação. Inclusive no puerpério ela tem direito pelo SUS”, acrescenta. Vacinar durante a gestação é uma forma de proteger não só a mãe, mas também a criança. “Pela amamentação ela transfere os anticorpos para o bebê, que não pode tomar a vacina nos primeiros meses de vida.”

O movimento antivacina, que chegou a ganhar adeptos no Brasil, foi incluído na OMS como um dos dez maiores riscos à saúde mundial em 2019. Por conta disso, Teixeira garante: “Essas vacinas são seguras e não causam nenhum efeito colateral.” Inclusive para pessoas com doenças crônicas e que têm receio de tomar a vacina, o médico tranquiliza que “não se injeta o vírus da doença”. “São partículas, só para produzir os anticorpos contra o vírus.”

Conforme explicação do obstetra, os efeitos da proteção surgem entre dez e 14 dias da aplicação da dose, portanto, é possível que quem passa pela imunização fique gripado depois da vacina, “mas na verdade essa pessoa já tinha adquirido o vírus antes, ou no período que a vacina não fez efeito ainda”.

Há casos, contudo, que a vacina não consegue barrar. A proteção por meio da dose é, em média, 70% eficaz, de acordo com Teixeira. Além disso, o vírus se modifica rapidamente. Para adultos e crianças acima de nove anos apenas uma dose deve ser aplicada. De seis meses a oito anos, são duas aplicações. Teixeira afirma ainda que nas clínicas privadas há vacinas para todos, com uma cepa viral a mais do que o que é disponibilizado pelo SUS, ou seja, são doses tetravalentes.

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