Londrina - A Campanha de vacinação contra gripe, que terminaria hoje, foi prorrogada até 1º de junho pelo Ministério da Saúde. A decisão foi tomada porque, salvo raras exceções, grande parte do País não conseguiu cumprir a meta mínima de vacinação preconizada de 80% do público-alvo.
De acordo com Programa Estadual de Imunização, até a manhã de ontem haviam sido vacinados 68% do público-alvo (1,1 milhão de pessoas), formado por idosos (com 60 anos ou mais), gestantes, crianças (de seis meses a menos de 2 anos), indígenas e trabalhadores de unidades de saúde.
Dos 399 municípios paranaenses, apenas 85 já atingiram a meta de vacinação estipulada pelo Ministério da Saúde (80%). Os municípios de Goioxim (Centro-Sul), Nova Aliança do Ivaí (Noroeste) e Pitangueiras (Norte) já vacinaram 100% do público-alvo. Em Pitangueiras, cidade de 2,8 mil habitantes, a enfermeira responsável pela epidemiologia, Fabiana Gonçalves, explicou que o segredo do sucesso é ''a busca ativa. Nós vamos até as casas das pessoas, seja na Vila Rural ou não. Cobrimos toda a área. É claro também que por ser município pequeno ajuda, mas somos referência''.
Em Londrina, 65% do público-alvo havia sido imunizado até ontem. Conforme a diretora de Epidemiologia, Sandra Caldeira, as gestantes apresentaram até o momento a adesão mais baixa: 48% das 8.505 grávidas foram vacinadas. ''Muitas têm medo de reação'', lamentou.
Ontem na Unidade Básica de Saúde da Avenida São Paulo, no Centro de Londrina, a procura foi intensa. Em poucos minutos, a reportagem presenciou a vacinação de dez pessoas. O comerciante José Amado Munhoz, de 70 anos, garante que ''todo ano toma a vacina''. Questionado por que procurou o posto apenas no penúltimo dia antes do fim do prazo inicial, ele brincou: ''brasileiro deixa tudo para a última hora''. O aposentado Shiguer Yabushita, 72, usou o mesmo argumento para justificar a procura tardia. ''É obrigação tomar, é de graça'', acrescentou.
De acordo com João Luis Crivellharo, técnico do Programa de Imunização da Secretaria de Estado da Saúde, a expectativa é de que com a prorrogação o Estado atinja a meta. ''É fundamental que a população tome essa vacina. Ela protege contra os três vírus: influenza A (H3N2) - sazonal, influenza A (H1N1) e influenza tipo B. A eficácia dela é muito boa. Nenhuma vacina é colocada para população se não tiver eficácia de 90%'', explicou.
Conforme ele, a população não precisa temer uma possível reação da vacina, uma vez que esse problema pode acontecer ''em apenas 3% dos vacinados''.
No Estado, a exemplo de Londrina, as gestantes também apresentam até o momento o menor índice de adesão à campanha de vacinação, com 56%. Crivellharo alertou, porém, que a ''gestante deve procurar o serviço de saúde, independentemente do período de gestação''.
O pediatra Milton Macedo, de Londrina, defende que a vacina deveria ser ofertada para toda população, não apenas para crianças, gestantes e idosos. ''São os grupos prioritários, mas o ideal é que todos que não tiverem contraindicação fossem vacinados'', afirmou. Conforme ele, ''não existe nenhuma vacina 100% eficaz, depende do estado imunológico da pessoa, da conservação da vacina''. Mas salientou que a vacina contra gripe tem ''eficácia boa''.
O objetivo da campanha é reduzir a mortalidade, as complicações e as internações provocadas por infecções do vírus da gripe. Até ontem, em todo o País, 15,8 milhões de pessoas já tinham sido imunizadas, o que representa 52% do público-alvo. Como resultado da imunização, em 2011, houve redução de 64% nas mortes por agravamento da gripe H1N1: foram 53 óbitos, contra 148 no ano anterior. Já o número de casos graves notificados diminuiu 44% - de 9.383 para 5.230. No entanto, o Ministério da Saúde alerta que se a adesão à campanha não for atingida esses números podem voltar a se elevar neste ano.
Serviço
Campanha de vacinação contra a gripe
Até 1º de junho, nas unidades de saúde, das 8 às 17 horas

Imagem ilustrativa da imagem Campanha de vacinação contra gripe é prorrogada
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