Brasília - O brasileiro ainda não tem conhecimento completo sobre as complicações de saúde causadas pelo herpes-zóster, uma infecção viral que provoca vesículas na pele. A conclusão é da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), que lançou ontem uma campanha de esclarecimento da população sobre a doença.
A diretora científica da entidade, Maisa Kairalla, informou que a melhor forma de identificar a doença é por uma consulta médica. Como sinais, ela apontou lesões vermelhas de pele e com a evolução a criação de crostas escurecidas.
O atraso no diagnóstico é um dos maiores problemas. "Em geral as pessoas procuram três médicos para fazer o diagnóstico, então há um retardo que prejudica o tratamento. O que a gente gostaria é que as pessoas pensassem realmente que pode ser herpes-zóster, para ela ser melhor identificada. A pessoa precisa ter lesão de pele e ela coça e dói. Às vezes, a gente pensa que é um inseto ou uma alergia, e na verdade, são sintomas. O melhor é procurar um médico", aconselhou.
A médica disse que a prevenção pode ser feita por uma vacina que ainda não está disponível na rede pública do Brasil. Além disso, o custo é elevado. "Essa vacina é apenas privada, custa em média R$ 450. A eficácia fica acima de 70% contra a doença do herpes-zóster e a nossa perspectiva é que no futuro seja adotada por toda a população", contou.
Maisa Kairalla informou que o tratamento é feito a base de antivirais para tentar diminuir a replicação do vírus e a intensidade da doença. "O pior do herpes-zóster é a dor ele traz causada pela lesão do nervo onde se instalou. Isso pode durar anos e piora a qualidade de vida e reduz a funcionalidade do paciente, que muitas vezes fica deprimido porque não consegue nem se vestir. Se for um zóster ocular pode cegar", explicou.
A médica informou ainda que a doença tem maior incidência em idosos, e é por isso que a vacina é indicada para pessoas a partir dos 50 anos. Segundo ela, pesquisas dos Estados Unidos, indicam que uma em cada três pessoas desenvolverá herpes-zóster durante a vida, atingindo 50% entre os indivíduos acima dos 85 anos de idade.
A diretora afirmou que no Brasil não existe um controle do número de pacientes, porque não é uma doença de notificação compulsória. Ela espera que a campanha seja um alerta para o Ministério da Saúde incluir a vacina no calendário vacinal do país. Atualmente, só as clínicas de vacinação da rede privada dispõem deste tipo de prevenção da doença.

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