Campanha de prevenção à aids dará ênfase ao homem6/Mar, 0:12 Por Chico Araújo Brasília, 5 (AE) - A campanha mundial de prevenção da aids que que está sendo lançada hoje (6) em Nova Délhi, na Índia, vai colocar o homem no centro das atenções. É o contrário do que ocorre no Brasil, que tem dado ênfase à questão da infecção feminina. A campanha do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (Unaids) vai tentar envolver mais diretamente os homens nos esforços de combate à doença. Segundo as estatísticas mundiais, o número de infecções pelo HIV é mais preocupante no meio masculino do que no feminino em quase todos os lugares, exceto na áfrica subsaariana. O Brasil, no entanto, manterá sua atual estratégia, que dá prioridade à prevenção entre as mulheres. Elas representam 24% dos 170 mil casos de aids notificados ao Ministério da Saúde entre 1981 e 1999. "Isso não significa que o Brasil não vá seguir as recomendações da ONU", afirma Raldo Bonifácio Costa Filho, coordenador nacional interino do Programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids do Ministério da Saúde. Estima-se que no Brasil existam no total 500 mil infectados pela doença. No mundo, até o final do ano passado, 33,6 milhões de homens, mulheres e crianças estavam infectados pelo vírus HIV ou vivendo com aids. Outros 16,3 milhões já morreram em decorrência da doença. De acordo com o coordenador interino do Programa de Aids, continua crescendo no Brasil a proporção de mulheres infectadas em relação ao total da casos. Na faixa etária dos 15 aos 19 anos a proporção já é de uma mulher para cada homem. O fenômeno é chamado de feminização da epidemia. Solução - Para o diretor-executivo do Unaids, Peter Piot, é chegada a hora de se ver o homem não como problema, mas como um tipo de solução para a redução dos casos de Aids. Ele acredita que mudanças de atitude no meio masculino possuem um grande potencial para conter a epidemia e melhorar a sua vida e de suas famílias. A campanha ainda questiona os conceitos da masculinidade e as atitudes dos homens adultos em relação aos riscos de contaminação por doenças. O informe também faz um apelo para que os homens sejam mais ativos na luta contra a aids, além de recomendar a redução do número de parceiras e condenar o sexo sem proteção. Ao mesmo tempo, a campanha indica aos homens a adoção de um comportamento mais positivo em relação às parceiras e à família. Os estudos feitos em várias regiões do mundo assinalam que os homens participam menos que as mulheres no cuidado com os filhos fato que tem relação direta com a epidemia de aids. Já existem mais de 11 milhões de órfãos no mundo cujos pais morreram em decorrência da doença.