A campanha de doação dos kits de primeiros socorros, que esperava arrecadar 20 mil estojos entre os motoristas de Maringá até hoje, será prorrogada por pelo menos mais uma semana. O advogado Orwille Moribe, presidente do Rotary Clube Maringá Velho, coordenador da campanha, disse que os motoristas não lembram de deixar o kit no posto quando vai abastecer. ‘‘Pedimos que os frentistas passem a cobrar o estojo dos motoristas, explicando a intenção da campanha’’. Até o final de semana, Moribe não tinha um balanço da arrecadação, mas a informação na maior parte dos postos é que o volume de estojos doados era pequeno.
A iniciativa de arrecadar os kits surgiu da carência dos órgãos de saúde pública e pela não obrigatoriedade do material nos veículos. ‘‘Não há mais necessidade do motorista andar com o estojo no carro’’, diz Moribe. Todo material vai passar por uma triagem e o que estiver em condições de uso será destinado ao Hospital Universitário (HU), Corpo de Bombeiros e creches mantidas pela prefeitura. ‘‘A maior parte dos itens tem prazo de validade e se não for utilizado vai acabar no lixo’’.
Ele diz que existem quase 120 mil veículos registrados em Maringá, cerca de 80 mil carros de passeio. ‘‘Precisamos arrecadar pelo menos 20 mil estojos’’, espera. O material será analisado pelos técnicos da Secretaria de Saúde de Maringá para verificar prazo de validade e condições de embalagem. ‘‘Queremos auxiliar o HU e o Siate dos Bombeiros, que usam muito material’’, justifica Moribe. Os dois órgãos juntos consomem 34 mil luvas cirúrgicas, 24 mil litros de água oxigenada, quase 200 rolos de esparadrapo e pelo menos 200 rolos de atadura de crepe por dia.
Os estojos e tesouras serão destinados às creches mantidas pelo município. Moribe diz que a maior parte das mais de 6 mil crianças atendidas são de famílias carentes, e nem sempre conseguem comprar estojo ou mesmo uma tesoura para os trabalhos manuais. O material que for desprezado será vendido para empresas que trabalham com reciclagem, e a renda revertida para entidades sociais. ‘‘Não temos nenhum cálculo do valor que isso representa ou a economia que vai proporcionar aos órgãos beneficiados’’, disse Moribe à Folha. Ele acha no entanto que qualquer ajuda é importante.
Até o final da campanha, Moribe acredita na adesão dos motoristas, que serão cobrados pelos frentistas. ‘‘Os postos de combustíveis e supermercados que tem estoque já doaram os kits que encalharam com o fim da obrigatoriedade’’, revela. Alguns donos de postos, que participam da organização da campanha, tem percorrido residências e empresas de clientes, recolhendo estojos. ‘‘Muitos motoristas tiraram o kit do veículo com o fim da obrigatoriedade, mas estão dispostos a doar’’, revela Moribe.

mockup