Desde que o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, lançou em todo País uma campanha de solidariedade de combate à fome e pela vida, em 1993, a população que vive em situação de miséria diminuiu. Em 1992, existiam 32 milhões de pessoas vivendo com renda suficiente para adquirir apenas uma cesta básica (R$ 105,00). Oito anos depois, a realidade melhorou um pouco. Hoje, 21 milhões de pessoas continuam recebendo menos de um salário mínimo, mas a campanha de Betinho conseguiu sensibilizar entidades e empresas, garantindo maior comprometimento governamental na luta contra a fome.
Para lembrar o aniversário da morte de Betinho, o Comitê de Entidades no Combate à Fome e pela Vida (Coep) estabeleceu o dia 9 de agosto como Dia Nacional de Mobilização pela Vida. O comitê tem hoje 44 entidades associadas e 18 comitês estaduais, que reúnem mais de 600 organizações.
A data é lembrada em Curitiba através de atividades, que vão culminar na quarta-feira, às 16 horas, com um abraço simbólico à Catedral, bênção de alimentos e lançamento de carimbo alusivo ao aniversário da morte do Betinho pelos Correios.
Na segunda e terça-feiras, o comitê também estará o dia todo na Rua XV trocando mudas de plantas por alimentos, que serão doados a entidades assistenciais.
‘‘O Betinho conseguiu gerar um debate nacional e alcançou três focos, da parceria, da solidariedade e da descentralização’’, afirma a socióloga Ana Maria Peliano, coordenadora-geral de Projetos Especiais do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Ela proferiu palestra ontem sobre ‘‘Gestão Social - Políticas Públicas com ênfase na questão da Fome’’.
O engajamento da sociedade, segundo a socióloga, pode ser sentido através da pesquisa feita pelo Ipea, no ano passado. Os dados revelam que dois terços das empresas da região sudeste participam de algum tipo de programa de combate à pobreza.
A secretária Executiva do Coep/PR, Conceição de Maria Contin, garante que, apesar da pouca propaganda, a campanha contra a fome continua forte, priorizando trabalhos em parceria com entidades nas áreas de educação, qualificação profissional, geração de trabalho e renda, cooperativismo entre outros pontos.
Apesar da aparente melhoria, dados da Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio (PNDA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 1999 mostram que o brasileiro continua ganhando mal.

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