Campanha da Fraternidade traz o meio ambiente como protagonista
Igreja enxerga o planeta como uma Casa Comum, em que toda a sociedade está interligada e sente os efeitos das mudanças climáticas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de março de 2025
Igreja enxerga o planeta como uma Casa Comum, em que toda a sociedade está interligada e sente os efeitos das mudanças climáticas
Jéssica Sabbadini - Especial para a FOLHA 

Celebrada todos os anos no período da Quaresma, a Campanha da Fraternidade de 2025 foi lançada nesta quarta-feira (5) em Londrina e traz como tema a "Fraternidade e Ecologia Integral" e o versículo do livro de Gênesis "Deus viu que tudo era bom" como lema.
A Campanha da Fraternidade acontece sempre entre a Quarta-Feira de Cinzas e a Quinta-Feira Santa e, neste ano, traz a ecologia e o meio ambiente como protagonistas. Arcebispo Metropolitano de Londrina, Dom Geremias Steinmetz explica que a temática celebra os 10 anos da encíclica Laudato SI, escrita pelo Papa Francisco, que aborda a chamada Casa Comum, relacionado ao fato de que o planeta terra é a casa de todas as pessoas.
"O Papa procura conscientizar não apenas a igreja, mas a sociedade para a urgência de enfrentarmos as mazelas que tanto prejudicam o meio ambiente, especialmente para que a vida continue por muitos e muitos séculos", detalha. Para isso, a ecologia integral tem um papel fundamental, já que mostra que tudo está interligado nesta Casa Comum, desde os aspectos ambientais até os sociais e religiosos.
Segundo ele, a intervenção humana é que levou o planeta a enfrentar desafios como os vivenciados hoje, citando as enchentes no Rio Grande do Sul no ano passado e a crise hídrica que afeta diversos estados. Por isso a necessidade de conscientizar a população a adotar práticas diárias que podem ajudar a recuperar parte do que foi perdido ao longo do tempo.
Dentre as 61 edições da Campanha da Fraternidade, a ecologia foi assunto em nove campanhas, incluindo a de 2025, sendo a primeira no ano de 1979, que ressaltou a importância de preservar o que é de todos. Em anos seguintes, alguns temas abordados dentro da temática envolveram a reforma agrária, povos indígenas, água, biomas, entre outros.
A Campanha da Fraternidade acompanha os 40 dias da Quaresma, servindo como uma preparação para a Páscoa. Em especial, neste ano, a Igreja Católica celebra o Jubileu da Esperança, assim como o Brasil vai ser sede da COP 30, no mês de novembro em Belém (PA), conferência mundial que debate assuntos ligados às mudanças climáticas. “A ressurreição é Cristo dizendo que nós estamos nas mãos de Deus, mas nós precisamos continuar fazendo a nossa parte aqui para que essa sociedade possa continuar tendo vida e plenitude”, afirma.
EVENTOS E FESTAS SUSTENTÁVEIS
Coordenador da Ação Evangelizadora e assessor da Campanha da Fraternidade na Arquidiocese de Londrina, padre Alexandre Alves Filho explica que a temática vai ser trabalhada dentro das festas e eventos realizados pela igreja, com a reutilização ou a destinação correta de resíduos sólidos, por exemplo. O objetivo é pensar em conjunto com as 84 paróquias da Arquidiocese de Londrina para que medidas simples e eficazes sejam colocadas em prática. Ele exemplificou o caso dos copos plásticos descartáveis, que são indispensáveis nos eventos, mas que podem ser reciclados.
O padre faz um apelo à Prefeitura para que ela também se envolva, principalmente com a coleta seletiva dos resíduos orgânicos e do que pode ir para a reciclagem. A comunidade também tem papel fundamental em não jogar lixo em espaços públicos. “A Campanha da Fraternidade quer disparar essa mensagem altamente necessária para os dias de hoje”, destaca.
SÃO FRANCISCO DE ASSIS
Protetor dos animais e do meio ambiente, o tema da Campanha da Fraternidade deste ano também celebra os 800 anos do Cânticos das Criaturas, escrito por São Francisco de Assis. De acordo com o frei Denilson Gomes, da Congregação dos Frades Menores Missionários, o material traz um olhar sensível para as coisas criadas por Deus, desde as plantas até os animais que compõem a Casa Comum, e que tudo isso é bom, em referência ao livro de Gênesis mencionado no lema deste ano. “O diferencial de Francisco é de que ele vai ver as coisas criadas, desde os astros maiores, como o Sol e a Lua, até uma pequena formiga, como irmãs, o que gera um laço de fraternidade e de sensibilidade”, afirma.


