Campanha da Fraternidade defende biomas
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quarta-feira, 01 de março de 2017
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abriu nesta quarta-feira (1º) a Campanha da Fraternidade 2017 que tem o tema "Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida". Segundo a entidade, o objetivo da ação é dar ênfase à diversidade de cada bioma, promover relações respeitosas com a vida, o meio ambiente e a cultura dos povos que vivem nesses biomas. "Este é, precisamente, um dos maiores desafios em todas as partes da terra, até porque as degradações do ambiente são sempre acompanhadas pelas injustiças sociais", disse o papa Francisco, em mensagem ao Brasil.
O papa destacou que o desafio global pela preservação, "pelo qual toda a humanidade passa", exige o envolvimento de cada pessoa junto com a atuação da comunidade local. Para ele, os povos originários de cada bioma ou que tradicionalmente neles vivem oferecem um exemplo claro de como a convivência com a criação pode ser respeitosa. "É necessário conhecer e aprender com esses povos e suas relações com a natureza. Assim, será possível encontrar um modelo de sustentabilidade que possa ser uma alternativa ao afã desenfreado pelo lucro que exaure os recursos naturais e agride a dignidade dos pobres", argumentou o papa.
O coordenador da Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Londrina, padre Joel Medeiros, enfatizou a preocupação da Igreja Católica com a natureza. "A importância dos cuidados com o meio ambiente foi reforçada dentro da Igreja desde a publicação da encíclica Laudato Si [Bendito Sejas], em junho de 2015, pelo papa Francisco", lembrou. Segundo ele, o tema da campanha remonta ao Gênesis. "Quando Deus criou o mundo havia o jardim e tudo estava sincronizado. Aos poucos, infelizmente, fomos devastando os recursos naturais", disse.
O texto-base da Campanha da Fraternidade 2017, que tem como lema cultivar e guardar a criação, aborda cada um dos seis biomas brasileiros, suas características e significados, desafios e as principais iniciativas já existentes na defesa da biodiversidade e da cultura dos povos originários. "São as comunidades que primeiro habitaram nosso país e que, em muitos casos, necessitam de uma atenção especial", comentou Medeiros. "Aqui na região está previsto trabalho com os índios caingangues. Em outras regiões haverá ações em comunidades quilombolas", contou.
Para o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, cardeal Sérgio da Rocha, ninguém pode assistir passivamente à destruição de um bioma, por isso o assunto não pode ser deixado de lado pela Igreja. "Há muito a ser feito por cada um espontaneamente, como mudança no padrão de consumo, cuidados com a água e com o lixo doméstico, mas necessitamos de iniciativas comunitárias, que exigem a participação do poder público e ações efetivas dos governos", disse. "Precisamos de um modelo econômico que não destrua os recursos naturais", ressaltou.
O biólogo Marcelo Arasaki, presidente da ONG MAE, de Londrina, ressaltou a importância do tema da Campanha da Fraternidade. "Existia uma distância muito grande entre ciência e religião que está sendo amenizada com ações como esta. É importante que a discussão chegue ao maior número de pessoas possível", avaliou. Para Arasaki, qualquer iniciativa que transmita informação é relevante. "Com a campanha, os milhões de fiéis vão aprender sobre biomas e também sobre os pequenos cuidados do dia a dia, como separação do lixo, esgotamento sanitário. Tudo isso faz parte dos cuidados ao meio ambiente."
AÇÕES
Entre as ações propostas estão o aprofundamento de estudos e debates nas escolas públicas e privadas sobre o tema abordado pela campanha. Segundo a CNBB, o fortalecimento das redes e articulações, em todos os níveis, também é proposto com o objetivo de suscitar nova consciência e novas práticas na defesa dos ambientes essenciais à vida. Além disso, o texto chama a atenção para a necessidade de a população defender o desmatamento zero para todos os biomas e sua composição florestal. Medeiros adianta que a Arquidiocese de Londrina vai trabalhar ações de reflorestamento e cuidado com as fontes de água.(Com Agência Brasil)


