Campanha contra o desmatamento na Amazônia começa quarta-feira
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domingo, 01 de agosto de 1999
Por Edson Luiz 
Brasília, 02 (AE) - Cerca de 360 homens, auxiliados por seis helicópteros militares, começam quarta-feira em toda a Amazônia uma das maiores operações já realizadas pelo governo para fiscalizar e identificar desmatamentos irregulares. A operação coincide com a chegada do período de queimadas na região, que se estende até o fim de outubro. Os Estados que mais preocupam o governo federal são o Pará, Rondônia e Mato Grosso - que receberão 180 fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Inicialmente, o Ibama pretende fazer um trabalho preliminar, mapeando as áreas em perigo, para que os fiscais possam fazer as autuações. Além de seis helicópteros do Comando de Operações Terrestres (Coter) do Exército - dois Panteras, com capacidade para dez pessoas e quatro Esquilos, para seis pessoas -, as Forças Armadas deslocaram mais 60 militares para ajudar na ação. Inicialmente, a operação deve durar um mês. Roraima - Foi a partir do incêndio de Roraima, no início do ano passado, que o governo sentiu a necessidade de formação de brigadas regionais, uma fórmula adotada pela Argentina após um grande incêndio florestal. O primeiro grupo - composto de agricultores - foi formado no Estado, que teve cerca de 13% de sua extensão atingida pelo incêndio. Apesar de centralizar as operações nos três Estados, o Ibama vai estender a fiscalização em todo o Arco do Desmatamento - área de cerca de 1,8 milhão de quilômetros quadrados que envolve o sul do Pará, Mato Grosso, Tocantins, Acre, Amazonas, Maranhão e Rondônia -, onde ocorreu a maior parte das queimadas nesse período, e onde se registram os incêndios florestais causados pelo descontrole do fogo nos pastos.
Segundo dados do governo baseados em imagens do satélite NOAA-12, o número de focos de incêndio caíram no País este ano em relação a 1998. Entre junho e julho de 99, de acordo com o Ibama, foram registrados entre 2.600 e 2.800 focos de fogo, cerca de mil a menos que no mesmo período do ano anterior. Isso ocorreu até mesmo nos Estados que fazem parte do Arco do Desmatamento. "Embora os focos de incêndio tenham diminuído em julho, o quadro pode reverter, como ocorreu em Roraima", disse o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. "Por isso, não queremos correr o risco de sermos surpreendidos".
O Estado onde a queda de incêndios foi mais acentuada é Mato Grosso, justamente onde os focos de fogo nesse período são mais intensos. Em julho do ano passado, foram mapeados 3.352 focos, ante 1.163 este ano. Dia marcado - Em alguns Estados da Amazônia brasileira, as queimadas têm dia certo para começar. No Acre, por exemplo, ocorrem nos dias 7 ou 10 de agosto. Segundo os agricultores, o fogo prevalece até o mesmo dia de outubro, quando começa o período de chuvas. Mas o programa de controle e fiscalização da Amazônia, apesar de já ter sido iniciado, pode sofrer alterações se não forem liberados cerca de US$ 3,5 milhões, que aguardam aprovação do Senado Federal. O dinheiro será usado para a compra de equipamentos, carros-pipa e barcos, além de treinamento e pagamento de bombeiros voluntários. O Ibama já realizou várias licitações, mas depende desses recursos para efetuar as compras.


