O Ministério da Saúde vai distribuir 22 milhões de preservativos durante o Carnaval, em uma campanha contra a Aids que já despertou críticas dos setores mais conservadores por causa de seu tom direto e provocador.
Conforme informaram ontem representantes do ministério, a campanha será divulgada através de rádios, jornais, revistas e redes de televisão, e mostrará um anjo e um demônio com a seguinte recomendação: ‘‘Esteja do lado que estiver, use um preservativo.’’
‘‘Nosso objetivo é lembrar que a prevenção está acima de tudo. Deve-se usar camisinha, sejamos heterossexuais ou homossexuais, machistas ou feministas, de esquerda ou direita, católicos ou ateus’’, asseguraram as mesmas fontes.
Segundo os publicitários que idealizaram a estratégia, esta campanha não atenta contra a Igreja ao mostrar um anjo e um demônio. ‘‘Uma campanha contra a Aids não pode ser elaborada com base nos parâmetros impostos pela religião. No Carnaval não se pode difundir sermões, deve-se falar a linguagem das pessoas’’, afirmaram.
Os representantes do ministério da Saúde garantiram que recusaram outra proposta de publicidade que atacava frontalmente a Igreja por sua oposição ao uso dos preservativos, pois não querem piorar as já deterioradas relações entre ambos os lados.
Das 22 milhões de camisinhas que serão distribuídas até o final de fevereiro, mais de 4 milhões vão para São Paulo e mais de três para o Rio de Janeiro. ‘‘As relações sexuais aumentam no Carnaval e o risco de contágio também aumenta’’, lembraram os responsáveis do ministério, que realiza esta campanha anual desde 1988.
No Brasil existem 580 mil infectados com o vírus da Aids, segundo dados oficiais, e a cada ano se registram 21 mil novos casos. Os estados que registram o maior número de infectados são: São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Desde 1996 os serviços públicos de saúde distribuem gratuitamente uma combinação de remédios a 70 mil doentes brasileiros, e o número de pessoas mortas por causa da Aids diminuiu 40%.

mockup