Curitiba - Uma ação desencadeada em Curitiba e região entre segunda e terça-feira para combater o uso e comercialização de anabolizantes em academias resultou na prisão de 14 pessoas. A Operação Narciso 3 foi realizada por policiais do Núcleo de Repressão aos Crimes contra a Saúde (Nucrisa) da Polícia Civil do Paraná, com o apoio do Conselho Regional de Educação Física (Cref-PR) e o Conselho Regional de Medicina (CRM-PR).
Das 25 academias visitadas, 14 acabaram interditadas por alguma irregularidade (seja pela venda de medicamentos, condições precárias de higiene, profissionais sem o registro adequado). Outros 17 receberam intimações para regularização e foram emitidas 50 infrações ao todo.
Denúncias anônimas chegaram ao Cref-PR em dezembro do ano passado e, posteriormente, serviram de base para a investigação policial. De acordo com o órgão, a ação deve ser estendida para todo o Estado paralelamente à divulgação da Campanha Estadual Contra o Uso de Anabolizantes, lançada ontem.
"É um problema sério e que traz graves consequências à saúde. Infelizmente existem casos em todo o Estado, principalmente porque muitos produtos são trazidos ilegalmente do Paraguai. Nas cidades grandes a situação é mais preocupante. É importante que as pessoas denunciem qualquer irregularidade", destacou o presidente do Cref-PR, Antônio Eduardo Branco.
Em todo o Paraná será distribuído um material de conscientização em academias, escolas, postos de saúde e outros locais de circulação de jovens, que são o público-alvo. Também foi divulgado o site www.delegaciaeletronica.pr.gov.br para denúncias.
Outro ato da campanha é a edição de uma resolução pelo Cref-PR, que determina a obrigatoriedade da divulgação da proibição do uso de anabolizantes dentro das academias. Um cartaz institucional com informações sobre as consequências do uso e os crimes relacionados ao comércio das substâncias será fornecido pelo órgão a cerca de 2,5 mil academias registradas em todo o Estado.
Conforme Sâmia Coser, delegada adjunta do Nucrisa, a comercialização desses produtos é crime hediondo, com pena de até 15 anos de prisão. "Esperamos que com o início da campanha outras denúncias possam surgir", ressaltou.

Informação
Segundo o professor de academia, Jorge Augusto Maciel Garcia, de 43 anos, que trabalha desde 1990 no ramo, o uso de anabolizantes é um assunto que sempre surge entre os frequentadores dos estabelecimentos. Entretanto, ressalta ele, "mesmo orientando sobre os malefícios, não há como controlar o que cada pessoa vai fazer quando sai da academia". "Por mais que as pessoas conheçam os perigos, e são muitos, alguns se arriscam para obter um resultado mais rápido", contou. Segundo ele, uma rotina de treinamento específica, junto com uma alimentação adequada e a prática de atividades esportivas, é o ideal para conseguir um corpo saudável.
Juliana Rinaldin, de 32 anos, frequenta academia há três anos e acredita que a campanha é fundamental para alertar os perigos do uso dos anabolizantes. "É um risco para a saúde, bem diferente de uma complementação alimentar e de suplementos vitamínicos. Vejo que o problema é maior entre os jovens e isso precisa ser discutido", falou. Marcelo Vinícius Rodrigues, de 29 anos, voltou a fazer academia há pouco tempo, mas diz que, infelizmente, o assunto sempre aparece. "A pessoa quer um resultado rápido, mas esquece que no futuro pode ter problemas", disse.

Apreensão
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu ontem, por volta das 11h30, em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), 226 ampolas de anabolizantes e outros medicamentos que estavam escondidos num Kadett, com placas de Hortolândia (SP). Um homem e uma mulher foram presos e encaminhados para a Delegacia da Polícia Federal (PF) de Londrina.

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