Rio - A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) inicia no próximo mês uma campanha em dez grandes cidades com o objetivo de inibir uma prática que, de acordo com a entidade, aumenta a cada ano: a venda de cigarros falsificados em estabelecimentos comerciais. Dados da ABCF indicam que pelo menos um terço dos 151 bilhões de cigarros consumidos no País em 2002 foi produzido de maneira clandestina, possivelmente no Paraguai, e entrou ilegalmente no Brasil, gerando uma perda de arrecadação tributária estimada em R$ 1,3 bilhão.
Estudo apresentado pela ABCF mostra que esses cigarros contêm teores de nicotina, alcatrão e monóxido de carbono muito acima do limite permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) - unidades apreendidas no Paraguai, onde existem 36 indústrias de fumo, tinham teor de alcatrão acima de 16mg, quando o máximo permitido pela Anvisa é de 12 mg. No estudo, também foi detectada a presença de substâncias proibidas, como inseticidas, além de grãos de areia, pedaços de barbante, sementes, capim, plástico e insetos.
''É quase impossível para o consumidor diferenciar um maço falso de um verdadeiro. Eles falsificam até o selo da Receita Federal. É um veneno produzido no exterior que invade o País'', diz o diretor da ABCF, Fernando Ramazzini.
Dados da ABCF mostram que o Brasil é o sexto país no ranking mundial de consumo de cigarro, atrás da China (1,74 trilhão por ano), EUA (420 bilhões), Japão (329 bilhões), Rússia (249 bilhões) e Indonésia (227 bilhões).
São Paulo lidera o ranking de falsificação no País, com 23% das apreensões, seguindo por Minas Gerais (12%), Pará (12%), Bahia (8%) e Rio de Janeiro (6%).

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