Campanha arrecada kits de primeiros socorros para AACD
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Natalie Antar, especial para a AE 
São Paulo, 20 (AE) - Uma campanha realizada pela Associação de Assistência à Criança Defeituosa (AACD) e a Rádio Bandeirantes pretende arrecadar até o fim do mês de maio cerca de 1 milhão de estojos de primeiros socorros, que deixaram de ser obrigatórios nos veículos na semana passada. Segundo os organizadores, o objetivo da campanha, que começou anteontem, é dar utilidade ao chamado kit, que segundo especialistas não serviria para nada em um caso de acidente grave.
Apenas no primeiro dia, em duas horas, foram entregues 407 estojos. Eles contêm tesoura, esparadrapo, gase e mercúrio, entre outras coisas. Todo o material recolhido será distribuído entre entidades, hospitais e pessoas carentes da periferia. "Se o número for alto, queremos ampliar a distribuição também para o interior do Estado", disse o vice-presidente da AACD, Alex Maluf.
A arrecadação está sendo feita por funcionários da Rádio Bandeirantes, que diariamente escolhem algum ponto diferente da capital para recolher os kits. "O carro da rádio ficará cada dia em um local da cidade, entre 15 horas e 17 horas", disse o diretor comercial da emissora, Mário Baccei. "Muitas empresas estão ligando interessadas em ajudar e, por isso, futuramente, podemos ter outros pontos de arrecadação". Distribuição - A AACD ficará responsável em guardar e distribuir os estojos. Quinta-feira, o carro da rádio estará a partir das 15 horas próximo ao Museu do Ipiranga, na zona sul da capital. Sexta-feira, a coleta será feita no Shopping Center Norte. "Só para se ter uma idéia , 10 mil kits durariam um ano se fossem usados na AACD", completou Baccei.
De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP) há em todo o Estado cerca de 12 milhões de veículos. Na capital, são 4,9 milhões de automóveis cadastrados. "Queremos dar uma utilidade para algo que não servia para absolutamente nada dentro de um carro em caso de um acidente grave", comentou Baccei. Revolta - Muitos motoristas afirmam que estão revoltados com toda a história dos estojos de primeiros socorros. "Para mim, tudo não passou de uma palhaçada, pois em caso de acidente o kit não serviria para nada", disse a enfermeira Claudia Cattan, de 31 anos. "O kit só foi um bom negócio para os fabricantes".
Segundo a enfermeira, um outro fator que a incomodou foi a pressão que envolveu a compra do estojo, tornado obrigatório nos veículos a partir de 1. º de janeiro. "Em todo lugar que eu ia as pessoas me perguntavam se eu já tinha comprado o meu". Outro que também disse estar revoltado com a situação é o analista financeiro Gian Piero Rigolio. "Essa foi mais uma idéia para tirar dinheiro do povo", comentou. "Paguei R$ 15 no meu kit depois de procurar em várias farmácias sem sucesso". disse. "Achei o preço muito caro em relação à qualidade do material", completou. Ele não vai doar o seu. "Vou guardar o meu kit, pois no Brasil é tudo tão maluco que daqui a pouco sai uma nova lei obrigando novamente os motoristas a usarem o estojo".
O administrador de empresas Léo Faibicher disse que teve sorte por não ter comprado o seu, embora estivesse previsto no Código Brasileiro de Trânsito. "Antes de ser obrigado a comprar o kit, o motorista precisaria ter curso de primeiros-socorros".


