Caminhoneiros voltam à greve amanhã
Carmem Murara
De Curitiba
Um mês após a paralisação nacional que chegou a desabastecer parte do País, os caminhoneiros preparam para amanhã nova greve, desta vez sem bloqueio das estradas. A orientação é para que os motoristas não carreguem e fiquem em casa, o que provocaria novo caos no transporte de alimentos e combustíveis pelo País. A ameaça de greve provocou ontem instabilidade em todo o setor. Muitos caminhoneiros se recusaram a sair em viagem e as transportadoras ficaram sem ter como embarcar mercadorias.
O presidente do Sindicato da União Brasileira dos Caminhoneiros e Afins, José Natan Emídeo Neto, classificou o movimento como uma espécie de jejum nacional. É importante que a população evite os excessos de consumo, por causa dos riscos de desabastecimento, acrescentou.
Há 10 dias, os coordenadores do movimento distribuem panfletos aos motoristas, nos postos de combustível, e pedem a adesão via rádio (PX), um dos principais meios de comunicação nas estradas. A greve surge após dissidência com o grupo liderado por Nélio Botelho, que na última greve se tornou uma espécie de porta-voz dos motoristas.
A paralisação tem como organizadores os representantes da União Brasileira dos Caminhoneiros. O líder no Paraná é José Araújo Silva, conhecido pelo apelido de China. Após um mês da maior greve de nossa história nada mudou, criticou.
Ele diz que era hora de os caminhoneiros descentralizarem o foco do governo federal e partir para os Estados, que respondem pela maioria das estradas privatizadas. China diz ainda que é hora de discutir as tabelas de frete com as empresas e não com os governos.
A revolta dos caminhoneiros está na lentidão do encaminhamento das propostas firmadas há um mês. Se por um lado o governo federal baixou em 5% o pedágio em rodovias federais, por outro ele aumentou o preço do óleo diesel.
Na região de Curitiba, vários caminhoneiros telefonaram ontem para suas famílias informando que poderiam ter problemas para chegar em casa. Meu marido vem do Rio de Janeiro e já me avisou que o movimento está forte. Se tiver greve, ele deixará o caminhão na estrada e voltará para casa, afirmou Eliana, mulher de um caminhoneiro curitibano.
A preocupação dos motoristas refletiu nas transportadoras. A empresa de transportes Lua de Prata, com sede em Londrina, tinha ontem 32 pontos de embarque para escoar trigo para Goiás, Minas Gerais e Santos, mas não tinha caminhão. Os nossos motoristas se dispuseram a ir, mas avisaram que se ficarem parados vamos ter de pagar diárias e gastos com refeição, afirmou o dono da empresa Darci Maciel. O empresário disse que recebeu fax do Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo avisando da greve.





