James Alberti
De Curitiba
Caminhoneiros de pelo menos 15 Estados fazem hoje em Ponta Grossa, a 100 quilômetros de Curitiba, uma assembléia que pode definir a deflagração de uma greve de proporções que o País nunca viu. Das discussões deverá ser retirada uma lista de reivindicações que serão levadas ao ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, e ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Uma audiência entre estas autoridades e o presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, está marcada para a próxima quinta-feira, na qual serão entregues as exigências.
Segundo o presidente da Associação dos Postos de Ponta Grossa, Neuri Leobet, integrante do movimento comandado por Botelho, caso as reivindicações não forem atendidas, uma greve nacional deve ser deflagrada a partir de abril. ‘‘Será uma greve grande e bem mais organizada’’, afirmou, referindo-se à paralisação realizada pela categoria em julho do ano passado, quando o País entrou em colapso com desabastecimento de alimentos na maioria dos Estados.
Entre os pedidos dos caminhoneiros, estão a redução do pedágio para R$ 1,00 por eixo; a fixação de uma tabela mínima para fretes; ações que garantam maior segurança nas estradas; a pesagem pelo total da carga e não por eixo, como é feita hoje; e o fim da aplicação de três pontos nas carteiras dos motoristas por causa dos excessos de peso.
‘‘O objetivo do movimento não é a greve. Queremos soluções’’, disse Leobet, um dos responsáveis pela organização da manifestação. Segundo ele, a maioria dos participantes é representante da categoria nos Estados, de federações ligadas ao transporte, de sindicatos, transportadoras e agricultores. A assembléia deve começar por volta das 10 horas, no Centro de Eventos da cidade, e tinha presença confirmada de 500 pessoas até o final da tarde de ontem.

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