Paulo Pegoraro
De Cascavel
O protesto no trevo das BRs 277, 367 e 467, em Cascavel, que foi encerrado na madrugada de anteontem com a intervenção de um pelotão do 6º Batalhão da Polícia Militar, está motivando críticas de lideranças dos caminhoneiros às organizações com as quais mantinham discussões sobre a majoração do pedágio e questões paralelas.
O presidente do sindicato local de motoristas, Elemar Adams, reclama da falta de apoio ao protesto de entidades como as cooperativas agrícolas, ‘‘principais usuárias do transporte na região’’. Segundo Adams, ‘‘inicialmente, as cooperativas haviam até estimulado o protesto, mas depois puxaram o tapete’’.
Já os dirigentes das cooperativas reclamaram que os caminhoneiros se lançaram sozinhos no bloqueio em rodovias e praças de pedágio, quando havia um acordo para se discutir judicialmente tarifas e as próprias concessões das rodovias. A principal queixa, porém, se relacionou ao fato de caminhões com cargas perecíveis terem sido retidos.
Entre os perecíveis se incluem frangos, leite e grãos, processados por indústrias da cooperativas em várias cidades da região. O presidente da Associação dos Caminhoneiros de Cascavel e Região, Jeová Pereira, nega que essas cargas tenham sido bloqueadas, a não ser em alguns instantes, por decisão aleatória de alguns companheiros’’.
Jeová Pereira lamentou que ‘‘até as cooperativas nos abandonaram na parada’’. Ele, e Elemar Adams, criticam também a decisão judicial favorável às concessionárias e que previa aplicação de multas em entidades dos caminhoneiros que assumissem a responsabilidade pelos bloqueios nas praças de pedágio. Segundo eles, por esse motivo a maioria dos dirigentes se manteve afastada dos protestos. ‘‘Sem a liderança presente, algumas coisas não acertadas acabam ocorrendo mesmo’’, disse Pereira.
‘‘Com esse tipo de medida judicial e com o governo insensível, os caminhoneiros podem passar à condição de categoria sem liderança e sem organização em atos coletivos’’, disse Adams. ‘‘Depois haverá quem chie se eles voltarem às rodovias e praças de pedágio e adotarem práticas mais agressivas’’.

mockup