Caminhoneiros suspendem a greve
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quarta-feira, 28 de agosto de 2002
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os caminhoneiros que cruzaram os braços durante três dias decidiram dar uma trégua e suspender a paralisação ontem. O anúncio do Ministério dos Transportes que, no final da tarde de hoje, receberia uma comissão para negociar teve peso nessa decisão. A suspensão temporária, no entanto, foi também estratégica para que o movimento não sofresse desgaste, depois de conseguir adesão de cerca de 70%, segundo as entidades de classe que representam os trabalhadores.
O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Paraná (Sindicam), Diumar Bueno, disse que, depois de três dias parados, as empresas poderiam forçar uma movimentação, o que enfraqueceria a greve. Tentativas isoladas de piquetes, como as que aconteceram na terça-feira, também manchariam a imagem do movimento que, segundo ele, teve expressiva adesão sem apelar para conflitos.
Bueno deixou claro que a descontinuidade da greve é temporária. A suspensão definitiva vai depender da conversa com o governo federal. Apesar de fazer parte da Comissão Nacional dos Caminhoneiros, preferiu não antecipar o que seria razoável para romper de vez o movimento. ''Temos uma pauta mínima, mas não quero antecipar nada, até porque isso é uma decisão da comissão'', declarou.
A pauta de reivindicações dos caminhoneiros inclui redução de 30% no preço do óleo diesel, cumprimento do vale-pedágio e da lei que determina que multas por excesso de peso recaiam sobre o dono da carga, benefícios tributários para cooperativas renovarem a frota, além de mais segurança nas estradas.
O fluxo de caminhões nas estradas paranaenses começou a se normalizar ontem. De acordo com a Rodonorte (concessionária que opera a maior parte das rodovias do Anel de Integração), o movimento nos pedágios no final da tarde de ontem estava apenas 9% abaixo do normal. Nos dois primeiros dias da greve o movimento chegou a cair 25%. Já na praça de pedágio da BR-277 (entre Curitiba e Paranaguá), segundo a Ecovia, o fluxo ontem ainda estava 21% menor. Na segunda-feira, chegou a sofrer redução de 37%.
A movimentação de caminhoneiros no Porto de Paranaguá, no Litoral do Estado, que chegou a sofrer uma redução de 80%, também já estava se normalizando ontem. O diretor empresarial do Porto de Paranaguá, Lourenço Fregonese, não tinha um número fechado da quantidade de caminhões que transitaram pelo porto durante o dia de ontem, mas no final da tarde, 350 veículos estavam no pátio estacionados no pátio, o que é um volume normal para o horário.
Na terça-feira, Fregonese avaliava que teria carga estocada para abastecer apenas cinco navios. Com a suspensão da greve, ele espera que, em 72 horas, consiga repor os estoques. ''Amanhã (hoje), se Deus quiser, vai ter fila de caminhões aqui. Vou esperá-los de braços abertos'', comemorou.


