São Paulo, 31 (AE) - Os caminhoneiros autônomos de São Paulo descobriram uma fórmula de aumentar seus rendimentos e garantir trabalho. Desde o ano passado eles estão unindo forças e formando cooperativas, entidades sem fins lucrativos que reúnem dezenas de trabalhadores. De acordo com o diretor do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos do Estado de São Paulo (Sindican), Cláudio de Oliveira, existem atualmente 12 cooperativas em todo o Estado e outras 10 estão em formação. Elas reúnem cerca de 5 mil carreteiros autônomos, que antes trabalhavam por conta própria ou prestavam serviços para transportadoras. "O rendimento dos caminhoneiros que fazem parte das cooperativas aumentou 50%", conta Oliveira.
A idéia de formar as cooperativas nasceu depois da greve geral de julho de 99, quando os transportadores pararam as estradas do Brasil em protesto contra os fretes baixos e as más condições de trabalho. Nas várias reuniões que se seguiram à greve, os motoristas perceberam que precisavam unir-se para conseguir negociar melhores contratos e a compra de insumos e combustíveis com desconto. "Nós percebemos que, se não nos uníssemos, não iríamos sobreviver no mercado", disse Oliveira.
As cooperativas de transportadores autônomos funcionam como empresas, só que não têm fins lucrativos. Segundo Oliveira, as entidades negociam os fretes com as empresas que embarcam carga. O carreteiro recebe, em média, 90% do frete. "A cooperativa fica com 3% a 10% do frete, dependendo do serviço", diz Oliveira. É com essa porcentagem que a cooperativa se mantém. "Através desse sistema, o carreteiro sai ganhando, pois ele fica com o frete quase total", explica o sindicalista. Quando o autônomo está ligado a transportadoras ou agenciadores de carga, ele ganha em média 50% do frete; o restante fica com a agência, segundo Oliveira.
O caminhoneiro Miguel Garcia preside a Cooperativa de Transportadores Autônomos de Sorocaba, criada em dezembro e que já reúne 260 carreteiros. "Nós tivemos, em média, quatro adesões por dia desde a fundação", diz. A procura foi tanta que a entidade decidiu limitar a entrada de outros transportadores, por enquanto. A Cooperativa de Sorocaba firmou há 60 dias um acordo com a siderúrgica Cosipa para transportar minério de Goiás para Cubatão. O próximo contrato, segundo Garcia, já está acertado com a Cosan para o transporte de açúcar a granel do Interior paulista ao Porto de Santos.
Através da entidade, os transportadores têm conseguido comprar insumos e combustíveis a menor preço para distribuir entre os carreteiros. "Também estamos negociando condições de financiamento para renovar a frota dos motoristas que fazem parte da entidade", conta Garcia, acrescentando que as condições de compra de 100 caminhões é sempre mais favorável do que a de 10 veículos. Garcia disse que a cooperativa também está sendo procurada por caminhoneiros de outros Estados, que planejam seguir o exemplo dos paulistas.
Com 19 anos de profissão e participante ativo da greve de 99, Garcia opina que os caminhoneiros devem organizar a classe, em vez da realizar protestos que incluem o bloqueio de estradas. "Atualmente, sou contra a greve geral", diz. "A categoria dos transportadores autônomos sempre foi muito desorganizada, mas isso tem que mudar", declarou. De acordo com ele, a intenção dos caminhoneiros é formar uma federação e uma confederação de cooperativas para melhorar a representatividade da classe. Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), existem 350 mil caminhoneiros autônomos no Brasil.

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