O bloqueio dos produtos de origem vegetal oriundos de regiões infectadas pela febre aftosa na Argentina está deixando brasileiros impacientes na aduana em Foz do Iguaçu. Ontem, quatro caminhoneiros foram barrados pela fiscalização do Ministério da Agricultura por não apresentarem a nova certificação sanitária exigida desde a implantação da norma nº 10 no Ministério da Agricultura, expedida dia 27.
No estacionamento do posto avançado da Receita Federal, próximo à Ponte Tancredo Neves (via que liga Foz a Puerto Iguazú na Argentina), dois carregamentos de alho, um de pipoca e um de maçã, aguardavam a decisão das transportadoras (todas brasileiras) sobre o destino das mercadorias. João Rocha Batista, 49 anos, trazia 22 mil quilos de alho colhidos em Mendoza (2,2 mil quilômetros da fronteira), quando ficou sabendo da proibição imposta pelo governo brasileiro. ‘‘Estou há oito dias fora de casa. Moro em Foz do Iguaçu e agora não posso nem visitar a família’’, comentou Bastista, preocupado com a segurança da carga.
Jarbas Caetano, 45, estava inconformado com o bloqueio das importações. Depois de 32 dias viajando pela Patagônia, ele decidiu transportar 28,8 mil quilos de maç㠑‘para compensar’’ o retorno ao Brasil. ‘‘Trabalho há três anos com transporte internacional e decidi: nunca mais volto para a Argentina. Os custos em dólar são muito altos e estes problemas de fronteira pioram ainda mais a situação’’, desabafou.
Segundo o chefe do escritório do Ministério da Agricultura em Foz, Gil Bueno de Magalhães, a proibição das cargas de origem vegetal ‘‘in natura e não submetidas ao tratamento de calor’’ continua por tempo indeterminado. Ele lembrou que a circulação de caminhoneiros argentinos na fronteira praticamente parou porque as transportadoras de lá nem estariam carregando. ‘‘Quanto à segurança dos caminhoneiros brasileiros, eles serão encaminhados até o anoitecer para a Eadi (Estação Aduaneira do Interior). Lá eles terão estacionamento e infra-estrutura para pernoitarem’’, explicou Magalhães.

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