Porto Alegre, 11 (AE) - Cerca de 200 caminhões partem amanhã (12), às 7 horas, de Erechim, no Norte do Rio Grande do Sul, para o Movimento Acordo Rural, que vai reivindicar a aprovação, no Congresso, do projeto de refinanciamento das dívidas do setor no País. Conhecida como "caminhonaço", a caravana cruzará Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Goiás, recebendo a adesão de produtores rurais locais, e depois de percorrer 1,94 mil quilômetros, chegará a Brasília na noite de segunda-feira (16), onde vai se encontrar com grupos originários de mais 12 Estados.
A concentração em Erechim será na noite de hoje, com um ato público no Centro de Tradições Gaúchas (CTG) local. Vários caminhões das regiões mais afastadas do Estado, como a fronteira Oeste, começaram a viajar pela manhã, informou o vice-presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), organizadora da caravana, João Carlos Machado. Em 1995, um movimento similar também chegou a Brasília, mas sem organização nacional como o atual.
Segundo o dirigente, pelo menos 10 mil produtores de todo o Brasil permanecerão na capital federal até a votação em plenário do substitutivo do deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO) - aprovado hoje na Comissão de Agricultura da Câmara -, possivelmente na quarta-feira (18). O projeto prevê a renegociação global das dívidas do setor no País, estimadas em R$ 24 bilhões, com juros de 4% ao ano, 20 anos para pagamento com quatro de carência e desconto de 40%.
Bem encaminhada na Câmara, a proposta corre o risco de receber vetos do Executivo. Machado, entretanto, afirmou que, se o governo olhar para a situação dos produtores com "responsabilidade", verá que todo o País necessita da solução embutida no projeto. "Toda a economia e a sociedade serão beneficiadas com a geração de mais emprego e renda", disse o vice-presidente da Farsul.
Em contrapartida ao refinanciamento das dívidas, o setor compromete-se a gerar 1,5 milhão de novos empregos no campo em três anos e chegar a 2003 com uma produção de 100 milhões de toneladas de grãos, lembrou Machado. Este desempenho, de acordo com ele, permitiria gerar US$ 45 bilhões em exportações de produtos agropecuários. Nas condições atuais, conforme o dirigente, os produtores rurais estão endividados, com equipamentos sucateados e sem condições de honrar os compromissos.
Amanhã, o "caminhonaço" vai de Erechim a Guarapuava (PR) pelas Rodovias BR-153 e 282, SC-480 e 467, PR-449 e BR-237, com parada para almoço em Xanxerê (SC). No dia seguinte (13), parte às 7 horas de Guarapuava com destino a Londrina (PR), onde deve chegar às 17 horas, passando pelas estradas PR-460, BR-466 e PR-445. O almoço será em Ivaiporã (PR).
Sábado (14), a caravana sai de Londrina, também às 7 horas, e viaja 12 horas até São José do Rio Preto (SP) pelas Rodovias PR-170 e SP-351, 270 e 425, com almoço em Presidente Prudente, no Oeste de São Paulo. No domingo (15), o roteiro vai até Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde chega às 18 horas, pelas BRs-153 e 497, com parada ao meio-dia entre Frutal e Prata (MG). A última etapa, na segunda-feira, compreende as BRs-050 e 040 até Brasília, com almoço em Catalão ou Campo Alegre de Goiás (GO).
De acordo com o vice-presidente da Farsul, a caravana será escoltada pelas polícias rodoviárias de cada região. Os caminhões viajarão somente durante o dia para garantir a segurança e os motoristas estão orientados a manter o espaço regulamentar entre um e outro para não bloquear o tráfego de veículos mais rápidos. A Farsul instalou ainda um número de telefônico (0800-51-2040) que disponibilizará dois boletins diários sobre o movimento.

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