Agência Estado
De Brasília
As negociações entre o Ministério dos Transportes e o Movimento União Brasil Caminhoneiro (UBC) vão se estender por mais 90 dias para que toda a pauta de reivindicação dos caminhoneiros seja atendida. O acordo foi fechado ontem, último dia do prazo dado em julho dentro das negociações que levaram ao fim da greve dos motoristas que quase paralisou o País. Segundo o governo, cinco, dos 11 itens da pauta, podem ser considerados como definitivamente atendidos.
O presidente da UBC, Nélio Botelho, advertiu que a situação dos caminhoneiros que trafegam pelas rodovias estaduais paulistas é dramática. Ele afirmou que uma paralisação no Estado de São Paulo é iminente, não dependendo das negociações com o governo federal. ‘‘Ali se pode parar a qualquer momento’’, disse Botelho. Segundo ele, o protocolo de compromissos, assinado com a Federação Interestadual dos Caminhoneiros Autônomos de Carga (Fetrabens), não está dando resultado.
‘‘O (governador Mário) Covas anunciou uma solução que não funciona na prática’’, disse Botelho. Segundo o presidente da Fetrabens, José da Fonseca Lopes, os caminhoneiros paulistas deverão comunicar em breve ao governador que as empresas não estão repassando aos motoristas os tíquetes de pedágio, que poderiam ser comprados pelas transportadoras com 20% de desconto.
Segundo Botelho, o governo se comprometeu também a não mais aumentar os pedágios no mês de novembro, como foi comunicado esta semana pelo Ministério dos Transportes. Segundo o presidente da UBC, esta informação causou apreensão entre os caminhoneiros. ‘‘A mudança na cobrança do pedágio com a redução de seu valor é nossa principal reivindicação’’, afirmou Botelho. ‘‘Não haverá nenhum aumento em novembro.’’ A assessoria do Ministério dos Transportes, porém, contestou esta afirmação da UBC. Segundo o ministério, em novembro se encerram os estudos para reajuste das tarifas e caberá ao ministro Eliseu Padilha aplicar o aumento, o que poderá acontecer ainda durante o mês.
De acordo com Botelho, no acordo que prorroga o prazo das negociações, ficou acertado que em 30 dias o governo deverá dar uma solução sobre cinco itens considerados fundamentais pelos motoristas, incluindo a questão do pedágio. Eles querem soluções sobre o aumento da pontuação limite para punição do Código Brasileiro de Trânsito, uma tabela de fretes para os caminhoneiros, medidas de segurança nas estradas e a regulamentação do setor.

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