Curitiba - O Fórum em Defesa dos Usuários das Rodovias Pedagiadas do Paraná, composto na sua grande maioria por caminhoneiros, informou ontem que fará nova manifestação contra o reajuste das tarifas de pedágio. O protesto está marcado para as 14 horas de segunda-feira, dia 30, e deve se estender a todas as 26 praças de pedágio existentes no Estado.
A reivindicação dessa vez é para que as concessionárias reduzam os preços de pedágio em aproximadamente 11%, voltando a praticar os preços cobrados até o dia 21 de dezembro. ''Se em 1998 o governo conseguiu reduzir as tarifas em 50%, agora pode reduzir em 11%. E os outros 50% nós vamos negociar com o novo governador'', sustenta um dos coordenadores do Fórum, o ex-deputado Acir Mezzadri. Segundo ele, técnicos que assessoraram o governador eleito Roberto Requião (PMDB) durante a campanha, possuem estudos que apontam a possibilidade de redução das tarifas. Mas Mezzadri não quis falar num índice.
O ex-deputado também informou que o protesto será por tempo indeterminado. Mas ele mesmo considera que cinco ou seis horas de manifestação já serão suficientes para sensibilizar ou o governo ou as concessionárias. ''Eles (governo e concessionárias) estão trocando acusações fortíssimas e precisam esclarecer essa situação'', considera. Mezzadri garantiu que terão trânsito livre durante a manifestação os carros de passeio, as ambulâncias e os caminhões carregados com cargas vivas e perigosas.
Questionado sobre a possibilidade da população se voltar contra a categoria em função da data escolhida para a menifestação, antevéspera de Ano Novo, Mezzadri disse que os caminhoneiros têm essa preocupação, mas que ela deveria ser principalmente das concessionárias e do governo, que criaram o problema.
Os caminhoneiros também criticaram o governo estadual pelo não cumprimento da promessa de colocar a Polícia Militar nas praças de pedágio na última quinta-feira. O governo alegou que não queria criar tumulto e por isso tinha voltado atrás na decisão. ''Há dois anos, o governador colocou a PM no pátio dos postos, que é a extensão da casa dos caminhoneiros, e muitos saíram feridos e atacados pelos cães da PM. Naquela época ele não se preocupou com o tumulto'', lembrou.
As concessionárias receberam ontem a notificação sobre a multa aplicada pelo governo do Estado, de cerca de R$ 145 mil por dia a cada empresa. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), João Chiminazzo Neto, o departamento jurídico da instituição está analisando a notificação, e provavelmente as empresas vão recorrer, dentro do prazo de cinco dias úteis estabelecido em contrato.
Sobre a paralisação anunciada pelos caminhoneiros, Chiminazzo voltou a insistir que o movimento é ilegítimo, já que a lei do vale-pedágio desonera a categoria e transfere o custo do pedágio para o embarcador. ''Eles (caminhoneiros) deveriam cobrar do governo federal o cumprimento da lei'', reforçou Chiminazzo. O governo do Estado não se manifestou ontem sobre o assunto.

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