Caminhoneiros não querem empresas negociando pedágio e multas
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domingo, 01 de agosto de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 2 (AE) - O presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiros, Nélio Botelho, disse hoje que a categoria não permitirá a participação de empresários nas rodadas de negociação com o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, que começam quarta-feira em Brasília. Botelho disse que não caberá aos empresários discutir questões como a redução do preço do pedágio ou novo sistema de pontuação de multas.
Segundo ele, com os empresários será discutida apenas a criação de uma tabela de fretamento. "Se fosse assim, gostaríamos que eles nos mostrassem a planilha de custos deles"
criticou.
O líder dos caminhoneiros negou que a paralisação da categoria na semana passada teria sido um locaute, e não uma manifestação de trabalhadores. "Nossa greve foi feita apenas pelos caminhoneiros", afirmou. "Em nenhum momento tivemos a participação de qualquer empresário ligado às confederações de Transportes (CNT), de Cargas (CNTC), de Agricultura (CNA) ou do Comércio (CNC)."
O governo federal, porém, suspeita que a paralisação dos caminhoneiros foi mesmo um locaute. Tanto que, no domingo, o ministro Padilha defendeu a participação de representantes da CNT e da CNTC nas reuniões do grupo de traballho interministerial.
O grupo que foi criado para discutir as 11 reivindicações dos caminhoneiros e terá 90 dias para solucionar os pontos pendentes. Para Padilha, é preciso estabelecer um relacionamento com todas as partes envolvidas. "É claro que o problema da nossa categoria envolve todo o setor, até porque alguns pontos da nossa pauta de reivindicações são de interesses dos próprias transportadoras, como por exemplo, a discussão de uma tabela de frete", ponderou Botelho.
O líder sindical ressaltou, no entanto, que a redução do preço do pedágio para R$ 1 por eixo - hoje, alguns concessionárias, como a que controla a Rodovia Presidente Dutra, cobram até R$ 3,30 - e revisão das perdas de pontos por infração de trânsito são de interesse "exclusivo" dos caminhoneiros. "Acredito que a participação dos empresários nessas discussões irá mais atrapalhar do que ajudar", afirmou.


