Caminhoneiros franceses pedem cumprimento da lei de 35 horas
Paris, 31 (AE-AP) - Um novo protesto de caminhoneiros parou a França hoje (31) pela segunda vez em três semanas. Os motoristas querem que os patrões cumpram a nova lei trabalhista que reduz a semana de trabalho de 39 para 35 horas, em vigor a partir de amanhã no país. Além disso, pleiteiam aumentos salariais e melhores condições de trabalho.
Há duas semanas, os donos de transportadoras organizaram um protesto contra as novas regras alegando perda de competitividade em relação aos concorrentes de outros países. Prontamente, o governo declarou que eles poderiam fazer com que seus trabalhadores ultrapassassem o limite legal de 35 horas semanais contanto que pagassem horas extras. O acordo enfureceu os caminhoneiros e deu início ao protesto.
Atualmente, a maioria dos motoristas de caminhão trabalha entre 50 e 70 horas por semana. Além do cumprimento da nova lei, os caminhoneiros querem um aumento por hora de trabalho, acréscimo de 50% no salário nas horas trabalhadas à noite, bem como abono salarial ao fim do ano. "É tempo de tirar a profissão da Idade Média", disse um deles. "O governo precisa rever sua decisão."
Segundo o Centro Nacional de Informações de Trânsito, foram realizados pelo menos 68 bloqueios em pontos estratégicos do país, incluindo as fronteiras com a Bélgica, Alemanha e o acesso às estradas de ferro que ligam o país à Inglaterra. Apenas os caminhões ficaram impedidos de passar; veículos de passageiros tiveram trânsito livre. O segundo bloqueio em menos de um mês na França enfureceu as firmas estrangeiras. Uma empresa britânica acusou a França de "destruir as companhias inglesas".
Por conta da posição estratégica que ocupa na Europa, os caminhoneiros franceses costumam recorrer assiduamente ao bloqueio para pressionar o governo. Em novembro de 1998, eles impediram o tráfego por cinco dias e, em 1996, pararam a Europa por 12 dias.





