Caminhoneiros fazem bloqueio de meia hora na Fernão Dias
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 02 (AE) - Dezenas de caminhoneiros fizeram um bloqueio hoje à tarde, nas duas pistas da BR-381 (Fernão Dias), no município de Itaguara, a 90 quilômetros de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, os caminhoneiros estacionaram os veículos no acostamento e nas pistas da direita, causando um engarrafamento de três quilômetros, nos dois sentidos da rodovia. O objetivo foi impedir a passagem somente de caminhões e montar um piquete para obter adesões à greve nacional da categoria - que o presidente do Sindicato da União Braileira de Caminhoneiros e Afins, José Natan Emídio Neto, garante ter sido iniciada esta semana.
Carros de passeio, ônibus e caminhões com cargas vivas puderam passar, durante pouco mais de uma hora. Com a chegada ao local de duas viaturas da Polícia Rodoviária Federal e outras duas da Polícia Militar, o clima ficou tenso. Líderes dos manifestantes, entre eles o motorista Romeu Almeida Batista, apontado como organizador do bloqueio e ligado a Emídio Neto, foram levados à força pelos policiais até as viaturas, para o registro de ocorrência.
"Depois de uma meia hora, os caminhoneiros concordaram em liberar a estrada", disse Edmar Guimarães, dono de uma revendora de pneus localizada à beira da estrada. "Mas acredito que os mais de 100 motoristas que estão em greve e com os caminhões parados nos postos, aqui na região, vão tentar bloquear a estrada de novo", completou.
Protestos - Emídio Neto disse, em Belo Horizonte, que os motoristas de todo o País devem intensificar, nos próximos dias, os protestos em rodovias. "Sempre defendi que a greve fosse feita de forma pacífica, com os caminhoneiros parados em casa ou estacionados em postos de combustíveis", afirmou. "Mas a turma está cada vez mais insatisfeita e disposta a trancar as estradas", acrescentou.
O sindicalista mineiro diz ter "grandes divergências" com os presidentes do Movimento União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, e da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), José de Araújo Silva, o "China". Os dois, por sua vez, o acusam de ser um "falso líder". Emídio Neto garante, porém, que a pauta de reivindicações da categoria só será atendida com uma paralisação geral da categoria.
"O governo, infelizmente, nos enganou depois da greve de julho, quando disse que iria apresentar soluções concretas para os problemas dos caminhoneiros e não o fez", disse. Segundo ele, mais de 100 mil motoristas autônomos e donos dos próprios caminhões, em todo o País, já teriam aderido à greve iniciada na segunda-feira.
Os motoristas das empresas de transporte, no entanto, estariam resistindo ao movimento. Amanhã haverá uma assembléia nacional da categoria no estacionamento do Mineirão, Zona Norte de Belo Horizonte, para avaliar a paralisação. Na próxima semana
Emídio Neto deve ir a Brasília tentar obter apoio e "orientação" de parlamentares de oposição ao movimento grevista.


