Caminhoneiros farão greve a partir desta segunda
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quinta-feira, 22 de julho de 1999
Por Renata Stuani 
São Paulo, 23 (AE) - Caminhoneiros autônomos de todo o Brasil começarão greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira (26). Eles reivindicam melhores condições de trabalho e a regulamentação do setor, que desde o governo Collor funciona mediante livre negociação. O protesto, intitulado "Movimento União Brasil Caminhoneiro", começará às 7h de segunda nas principais rodovias do País. Os motoristas prometem fazer uma manifestação pacífica, sem bloqueios às estradas. Eles levarão seus caminhões às rodovias e ficarão nos acostamentos.
Um dos diretores do movimento no Rio de Janeiro, Roberto Carlos Ribeiro Rodrigues, declarou à Agência Estado nesta sexta-feira (23) que o transportador de carga está "falido". Atualmente, o caminhoneiro sofre com os baixos fretes e os altos custos gerados pelos valores dos pedágios e a falta de segurança para impedir o roubo de cargas "Nós não queremos ficar ricos, queremos trabalhar", afirma Rodrigues, que é caminhoneiro há 12 anos e agora pensa em vender seus quatro caminhões porque não está conseguindo mantê-los.
De acordo com Rodrigues, um caminhão de 15 toneladas que leva mercadorias de São Paulo para o Rio ganha um frete de R$ 198,00. Gasta cerca de R$ 70,00 com óleo diesel e R$ 68,00 de pedágio. "O que sobra é para comer, beber, sustentar a famíia, além de manter o caminhão; é impossível!" Rodrigues afirma que a classe não tem condições de fazer a manutenção dos caminhões e muito menos de renovar a frota, o que traz grandes riscos de acidentes para as estradas. Segundo ele, 40% das transportadoras rodoviárias estão falindo. "Imagine a situação dos caminhoneiros autônomos, que trabalham por conta própria".
Ribeiro afirma que a categoria manterá a paralisação até ser ouvida pelo governo federal. Os motoristas querem instituir uma tabela de fretes e reivindicam isenção de impostos para a compra de veículos novos, entre outras coisas. "Se nós não formos ouvidos pelo governo, vai começar a faltar mercadoria por falta de abastecimento no Brasil", declara o diretor do movimento.
De acordo com ele, a categoria precisa mostrar sua força, pois o Brasil ainda é basicamente um país rodoviário. Segundo Ribeiro, os caminhoneiros brasileiros tiveram inspiração em recentes greves de transportadores na França, Argentina e Uruguai. Na França, a categoria conseguiu parar o país este ano. Houve confusão nas estradas e desabastecimento.
Abaixo, algumas das reivindicações dos caminhoneiros, descritas no documento do "Movimento União Brasil Caminhoneiro - Uma Questão de Sobrevivência": Pedágio - tarifa de R$ 1,00 por eixo de caminhão em todas as rodovias do País. Fiscalização - punição aos fiscais corruptos. Fretes - criação de planilha de custos elaborada e fiscalizada pelas entidades do setor e pelo governo. Regulamentação - estabelecimento de regras, direitos e deveres do transporte rodoviário de carga. Renovação da frota - isenção do IPI e do ICMS na compra de caminhão novo. Recuperação de rodovias - manutenção que seria feita com verbas do Fundo Rodoviário Nacional. Segurança - maior policiamento contra o roubo de cargas.


