Brasília, 3 (AE) - O governo federal promove amanhã (4) a primeira reunião do grupo de trabalho que vai examinar a pauta de reivindicações dos caminhoneiros, que quase pararam o País na semana passada. Estarão reunidos no gabinete do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, representantes de cinco ministérios
de entidades patronais e dos caminhoneiros. A formação deste grupo de trabalho faz parte do acordo que levou ao fim da greve.
Segundo o acordo assinado na semana passada, o principal objetivo deste grupo de trabalho é examinar e procurar viabilizar, em um prazo de 90 dias, vários pontos da pauta dos grevistas. Serão analisados, por exemplo, a forma de fiscalização das estradas, a aposentadoria dos motoristas aos 25 anos de trabalho, a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para compra de caminhões novos e os reajustes no preço do óleo diesel.
Para avaliar todos estes assuntos estarão presentes nesta reunião representantes dos ministérios da Previdência Social, Fazenda, Transportes, Justiça e Trabalho. Como representante dos caminhoneiros estará o porta-voz do Movimento União Brasil Caminhoneiro (UBC), Nélio Botelho. Também foram convidadas a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e a Associação Nacional do Transporte Rodoviário de Carga (NTC) e a Secretaria de Transportes do Estado de São Paulo.
No texto do acordo, divulgado na semana passada, o governo se comprometeu também a enviar ao Congresso Nacional em sete dias um projeto de lei para se estabelecer condições específicas para modificar os critérios de pontuação do Código de Trânsito. O governo quer que o Congresso discuta se o motorista profissional pode ter o mesmo tratamento do motorista amador.
O Ministério dos Transportes também anunciou a suspensão dos aumentos nos valores das tarifas de pedágio em rodovias federais sob sua jurisdição. Segundo o ministro Eliseu Padilha, estariam suspensos os aumentos nos preços do óleo diesel, ainda que este item não conste do texto do acordo.
Outro item acordado com os caminhoneiros suspende por 60 dias a obrigatoriedade da pesagem dos caminhões nas balanças rodoviárias, "até que seja revista a sua sistemática de aferição". O governo também se comprometeu a criar outro grupo de trabalho para aprimorar o sistema de segurança nas rodovias federais e manter os investimentos necessários para conservação, restauração e sinalização da malha rodoviária federal.

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