Cerca de 50 caminhoneiros, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e alguns políticos bloquearam ontem pela manhã o acesso à praça de pedágio em São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu) em protesto contra o aumento médio de quase 20% da tarifa, em vigor desde sábado passado. O grupo fez um cordão, interditando as duas pistas da BR-277 por meia hora.
Os manifestantes também fecharam o desvio da praça, cuja entrada está situada dentro da Fazenda Mitacoré, em São Miguel do Igauçu, ocupada pelo MST. O bloqueio, realizado das 10h15 às 10h45 e distante uns 100 metros das cabines, resultou em uma fila de quase três quilômetros, considerando os dois lados da rodovia e os veículos parados na via alternativa de terra.
Durante a interrupção, os protestantes distribuíram panfletos denunciando o ‘‘aumento abusivo da tarifa, que pode ter efeito cascata nos preços dos alimentos’’. O documento acusa o governo estadual de articular um jogo de cena na Justiça contra duas concessionárias, referindo-se às multas aplicadas na semana passada pelo Estado à Rodovia das Cataratas e à Rodonorte pelo descumprimento dos contratos. ‘‘É tudo faz-de-conta para tentar iludir o povo’’, descreve o panfleto.
Depois da paralisação, os manifestantes deixaram os veículos passar sem pagar pedágio. A Rodovia das Cataratas não divulgou o resultado do prejuízo. Comunicou, no entanto, que vai acionar a Justiça para receber R$ 4 mil de cada pessoa identificada como participante do manifesto (seja através de foto, filmagem ou testemunho). A concessionária afirma que uma decisão judicial obtida em 1999, através de uma ação preventiva contra invasões da praça de pedágio, garante a cobrança da multa.
O deputado estadual Irineu Colombo (PT), um dos manifestantes que discursaram num carro de som na BR-277, afirmou: ‘‘Este é o caldeirão das maldades, como um caldeirão da bruxa onde se coloca o aumento do pedágio; as estradas estaduais esburacadas; o aumento dos combustíveis e do IPVA, preparado pelo governo (Jaime) Lerner.’’
Apesar do clima de revolta o manifesto foi pacífico. Nem a irritação de parte dos motoristas que estava na fila, a maioria com destino a Foz do Iguaçu, resultou em incidentes. Perto de 10 policiais rodoviários e quatro militares permaneceram no local, inibindo atritos entre manifestantes e condutores.

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