Caminhoneiros e ministro não se entendem: greve continua
Agência Estado
De São Paulo
O líder do movimento União Brasil Caminhoneiros, Nélio Botelho, afirmou ontem à noite em São Paulo, após reunião com o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, que os sindicatos decidiram manter a paralisação em função do não atendimento das cinco principais reivindicações da categoria: revisão no preços dos fretes, redução dos pedágios para R$ 1 por eixo, maior segurança nas rodovias, alteração no sistema de pesagem de cargas e mudanças no sistema de pontuação dos motoristas multados.
Segundo Botelho, a orientação recebida era de que o movimento continuaria se esses cinco pontos não fossem atendidos. Ele, entretanto, apelou às lideranças para orientarem os profissionais a desbloquear as rodovias e manter o protesto estacionando os veículos nos acostamentos ou postos de gasolina.
Botelho disse também que se colocou à disposição do ministro para a retomada das conversações.
O ministro Eliseu Padilha informou que se comprometeu durante a reunião de quatro horas, a garantir dois pontos que dizem respeito ao ministério: a conservação das estradas e a segurança. Neste último item, Padilha disse que poderiam ser estabelecidos convênios entre o Ministério da Justiça, a Polícia Rodoviária e os Estados para policiamento e monitoramento da fiscalização. Entretanto, Padilha se dispôs a buscar soluções para as outras reivindicações como propor estudo no Contran para solução sobre a pontuação das carteiras de habilitação; a suspensão da Portaria que seria editada em breve de aumento dos pedágios; a negociação com empresários do setor para uso da tabela de fretes calculada pela Fipe e a análise da redução dos preços do óleo diesel.
Nélio Botelho vetou a participação de empresários do setor de transporte na reunião. Foi uma atitude de estrelismo da parte dele. Não somos contra as reivindicações - afirmou o presidente da Federação dos Transportes do Paraná, Walmor Weiss. O presidente do Sindicato União Brasileira dos Caminhoneiros, José Natan, deixou a reunião fazendo duras críticas a Botelho. O Nélio está querendo negociar sozinho com o ministro.





