Porto Alegre, 11 (AE) - Lideranças dos caminhoneiros dos três estados do Sul reunidas hoje em Caxias do Sul (RS), decidiram manter "estado de alerta" mas rejeitar, por enquanto
a deflagração de nova greve. Dezesseis sindicatos e associações elaboraram uma pauta para discutir com o governo federal onde abordarão o preço do frete, que precisaria ser reajustado em 50%
a falta de segurança nas estradas, os reflexos do aumento dos combustíveis no transporte de carga e o alto custo dos pedágios.
"Para nós, o preço do frete está com, no mínimo, 40% de defasagem", notou o secretário-geral da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná (Fecam), André Costa. Mas ele reconhece que é necessária uma avaliação mais técnica do problema.
"Estamos propondo um estudo do custo operacional para definir o índice mínimo de reajuste para o transporte de cargas por caminhão", disse. "Temos certeza de que, em 20 dias, este trabalho poderá estar concluído."
A Fecam sugeriu que a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), através de seu instituto de pesquisas, faça o levantamento, com a supervisão dos ministérios envolvidos na questão.
Outro ponto trata do roubo de cargas e da morte de caminhoneiros nas estradas. "Queremos uma intervenção da Polícia Federal no assunto", antecipou. "E reivindicamos ainda que o Exército também ajude na fiscalização nas áreas de fronteiras, já que muitos caminhões são roubados e levados para o Paraguai e a Argentina." Os caminhoneiros desejam que, nos debates do Mercosul, o Brasil encaminhe uma proposição que facilite a recuperação de veículos furtados.
Costa ainda propôs "uma discussão mais ampla" dos reajustes do óleo diesel que, na semana passada, passou a custar mais 6,5%. Para a Fecam, nenhuma elevação do preço do diesel deveria ter ocorrido dentro do prazo de 90 dias dado pela categoria ao governo federal.
Pedágios - Os caminhoneiros igualmente querem "abrir a caixa preta dos pedágios". Insatisfeita com os valores cobrados nos postos, a Fecam reivindica a participação dos caminhoneiros no processo de definição das tarifas dos pedágios junto às concessionárias.
No Rio Grande do Sul, o governo estadual determinou, em abril, uma redução de até 28% das tarifas, mas hoje, respaldadas por uma decisão do Tribunal de Justiça do RS, as concessionárias que operam três pólos rodoviários - os da região metropolitana, Caxias do Sul e Lajeado - voltaram a cobrar os preços anteriores.
Os dirigentes da Fecam têm se queixado de que a instituição dos pedágios foi resolvida "em gabinetes", sem ouvir os caminhoneiros, seus usuários mais frequentes. O presidente da federação, Éder DalLago, já avisou que, se as tarifas não caírem, o pedágio será embutido no preço final do frete.
"O caminhoneiro está gastando de 16% a 17% do preço que recebe pelo transporte no pagamento de pedágios", assegurou Costa. A Fecam terá uma audiência com o ministro dos Transportes
Eliseu Padilha, na quarta-feira, em Brasília.

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