Porto Alegre, 09 (AE) - Lideranças dos caminhoneiros dos três Estados do Sul vão avaliar na quarta-feira, em Caxias do Sul, os resultados práticos da greve nacional da categoria e relacionar reivindicações. "Na próxima semana, vamos levar as conclusões ao ministro dos Transportes", informou hoje o presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná (Fecam), Eder DalLago. Ele não acredita, porém, em deflagração de nova greve. DalLago é um dos líderes que questiona o comando da categoria pretendido pelo sindicalista Nélio Botelho, do Movimento União Brasil Caminhoneiro, que desfechou a paralisação do final de julho.
Descontente com o reajuste do óleo diesel, que entrou em vigor na sexta-feira, DalLago disse que os caminhoneiros ficaram "meio perdidos" no movimento e que, ao final, "não mudou nada". No seu entendimento, nenhuma elevação do diesel poderia acontecer ao longo das negociações.
O presidente da Fecam também está insatisfeito com a tarifa dos pedágios federais e estaduais. Reclamou que a categoria nunca foi consultada sobre a cobrança de pedágios, que chama de "câncer do caminhoneiro". Disse que "aqui no Estado, tudo foi resolvido em gabinetes, no governo passado".
"Uma barbaridade" - Classificou de "absurda" a estipulação "de uma tarifa de R$ 15,00 para trafegar 15 quilômetros, como na estrada estadual entre Caxias do Sul e Farroupilha, ou seja, R$ 1,00 por quilômetro", garantiu. O atual governo do Estado determinou a redução em até 28% nas tarifas mas hoje o Tribunal de Justiça/RS acatou ação encaminhada pela Associação Gaúcha de Concessionárias de Rodovias (AGCR) e determinou o retorno aos valores anteriores.
"Deste jeito vai ser impossível trabalhar", protestou DalLago, que definiu a tarifa como "uma barbaridade". Caso a tarifa não diminua, para ele só haverá uma saída. "Se não dá para baixar o pedágio, tem que botar o pedágio dentro do frete"
avisou. O caminhoneiro igualmente pretende embutir no valor do transporte o aumento do combustível e o preço do seguro do caminhão. Reparou que o preço do frete está parado há dois anos, enquanto o diesel, apenas em 1999, já subiu mais de 50%.
Nos seus cálculos, os motoristas de caminhão sofreram uma defasagem de 40% a 50% nos seus rendimentos. "Vivemos numa época tão triste que o caminhoneiro deixa de fazer o seguro do seu veículo porque não tem como pagá-lo", assinalou.

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