Caminhoneiros devem ter tarifa reduzida
NEGOCIAÇÃO Caminhoneiros devem ter tarifa reduzida Governo do Estado tenta evitar paralisação nas praças de pedágio, programada para dia 27, e já garantiu isenção de ICMS sobre tarifas Emerson Cervi De Curitiba Para evitar manifestações nas estradas e fechamento das praças de pedágio pelos caminhoneiros no dia 27, quando entra em vigor o reajuste de 116% nas tarifas, o governo do Estado quer conceder um aumento diferenciado para os transportadores de cargas. Para isso, o secretário dos Transportes, Heinz Herwig, tentará fechar um acordo com as concessionárias nos próximos dias. O governador Jaime Lerner (PFL) autorizou o início das negociações para aliviar o aumento dos caminhoneiros. No Paraná existe a peculiaridade de cargas primárias, com pouco valor agregado, serem transportadas em longas distâncias por estradas, explica o secretário. Reconheço que um aumento de mais de 100% no valor do pedágio pesaria nesse momento. O acordo entre governo, concessionárias e transportadores é a única alternativa para evitar que o reajuste judicial entre em vigor. Se houver aumento de 116% os caminhoneiros ameaçam paralisar o transporte de cargas e depredar as 25 praças de pedágio do Anel de Integração. A sugestão de reajuste diferenciado foi apresentada ao governador Jaime Lerner na tarde de segunda-feira. Falta tratar com as concessionárias quanto de investimento será cancelado por conta da redução na receita. No caso dos carros de passeio o aumento será de 116%. Há dois meses os transportadores apresentaram ao governador o índice de aumento considerado justo. Eles querem um desconto de 30% sobre o valor reajustado. Esse preço é suportável, mas se o governo vier com aqueles números malucos nós não aceitaremos, afirma o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar), Valmor Weiss. Segundo o secretário Herwig, o fato de o governador ter aceito o reajuste diferenciado não garante o desconto de 30%. Para definir índices eu tenho que considerar três variáveis: desconto, volume de obras e prazo para início dos investimentos, disse. Lerner concede o reajuste diferenciado, mas exige o início imediato de algumas obras, inclusive com antecipação de algumas duplicações. Para fazer isso, as concessionárias querem reduzir o cronograma de investimentos previstos para os 24 anos de concessão. Precisamos chegar a um acordo sobre essa complexa equação, conclui o secretário. O desconto no reajuste é apenas umas das reivindicações apresentadas ao governador pelos representantes dos transportadores. As outras são a assinatura de um novo contrato de concessão, que passaria a vigorar a partir de agora; o fim da cobrança sobre os eixos suspensos dos caminhões; reinício imediato das obras; criação de uma agência reguladora estadual para as concessões de rodovias e cancelamento da cobrança de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o pagamento de pedágio. Até agora o governo do Estado atendeu apenas um item da pauta. Em decreto assinado segunda-feira, Lerner destacou a cobrança de 12% de ICMS das tarifas de pedágio. Até ontem, o imposto era calculado do valor total do frete, incluindo gastos com pedágio. A partir de agora, o caminhoneiro não paga mais ICMS sobre o pagamento das tarifas. Essa medida mostra uma boa vontade do governo em aceitar nossas reivindicações, afirma Weiss.





