Caminhoneiros bloqueiam pool e alguns estabelecimentos são fechados por falta de reabastecimento
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quarta-feira, 23 de maio de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 
Nesta quarta-feira (23), caminhoneiros impediram o acesso ao pool de combustível de Londrina, localizado na zona oeste, como uma das estratégias da paralisação. Sem reabastecimento, postos de Londrina atenderam com filas e alguns estabelecimentos foram fechados por falta de estoque.
Segundo funcionários do pool de combustível, cerca de 500 mil litros estão parados e 50 caminhões à espera da liberação. Em nota à imprensa, o Sindicombustíveis-PR (sindicato que representa os estabelecimentos varejistas) afirma que, caso o bloqueio da central de distribuição persista, o resultado será a situação de desabastecimento.
Alguns postos foram fechados. Um estabelecimento localizado na zona oeste encerrou as atividades por volta das 9h, após a falta do diesel. Gasolina e etanol havia acabado já na segunda-feira (21). Com isso, a administração dispensou os funcionários e aguarda resultado da greve.
A situação se repete em outros locais e os postos que continuam com estoque possuem filas. Matheus Asth, 22, conta que teve que esperar 40 minutos até ser atendido. "É um carro de trabalho, preciso estar abastecido. Vim com dois carros e já estou mandando trazer outro", afirma. O medo que acabe a gasolina o levou à enfrentar a fila, mas observa outro detalhe. "Os preços estão exorbitante, fora do comum, eles estão aproveitando e metendo a faca", denuncia.
O Núcleo do Procon de Londrina recebeu pelo menos 40 reclamações de abusos de preços pelos postos de combustíveis nesta quarta-feira (23), informou o coordenador da entidade, Gustavo Richa. De acordo com ele, os reclamantes não especificam quais estabelecimentos estariam praticando preços abusivos e que somente com uma investigação é possível esclarecer quem está se aproveitando da situação para a fixação de preços abusivos.
O Procon deve iniciar o procedimento nesta quinta-feira (24), solicitando documentos dos estabelecimentos para comparar as notas emitidas pelos fornecedores com as de venda para o consumidor final. "Não dá para dizer que alguém aumentou o preço sem motivos. Precisamos comparar. O Sindicombustíveis diz que tem fornecedores subindo preços", diz Richa, que sugere que os consumidores encaminhem as denúncias com data, valores praticados e endereço do estabelecimento para [email protected].
O Sindicombustíveis-PR também afirma ser contrário à nova política de preços da Petrobrás, mas não concorda com o impedimento de abastecimento de produtos esseciais. Por isso, a instituição solicitou, junto ao governo estadual, Secretaria de Segurança Pública e Polícia Rodoviária Federal, a segurança para passagem dos caminhoneiros que decidirem não aderir ao movimento, alegando que "o desabastecimento de combustíveis seria um risco grande para toda a sociedade, atingindo, por exemplo, viaturas policiais e ambulâncias.
"Apesar das barreiras enfrentadas, o pedreiro Luiz Florêncio Feitosa, 56, acredita que essa é uma forma de chamar atenção do poder público e apoiando a paralisação. "Tem que parar mesmo, o povo só funciona na pressão. Pobre rala, paga imposto e os políticos roubando muito", revolta-se. O pedreiro ficou 1h30 na fila em um posto da zona leste e teve que pegar R$ 68 emprestados para abastecer o carro com emergência. "Eu uso para trabalho, não dá para ficar sem", justifica-se.
A gerente financeiro de um posto de combustível da zona leste de Londrina, Léia Barreiros, 38, conta que a gasolina comum havia acabado na tarde desta quarta-feira (23), restando apenas diesel, etanol e gasolina aditivada. "Todos os dias nós abastecemos, mas hoje não recebemos", afirma. O posto reabastece 2,5 mil litros por dia, mas com a procura, foram vendidos 10 mil litros até o final da tarde, quando o posto foi fechado.
(Com Luís Fernando Wiltemburg)


